A imprensa brasileira, em geral, tem sido mais realista nesse tema: reconhece que Maduro é um violador de direitos humanos e um agressor sistemático de jornalistas. Além disso, destacou que, após a captura, o regime tutelado pelos Estados Unidos e liderado por Delcy Rodríguez prendeu vários jornalistas por exercerem seu trabalho.
Após a captura do narco-ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em 3 de janeiro, militantes da esquerda brasileira realizaram manifestações em várias cidades. Nelas, gritavam consignas como “Fora Trump da América Latina” e “Estão roubando o petróleo dos venezuelanos”. Em alguns casos, venezuelanos se aproximaram para rejeitar esse apoio ao narcoditador; até o momento, relata-se pelo menos uma agressão contra um deles por parte de apoiadores de Maduro.
Enquanto isso, os venezuelanos no Brasil organizaram diversas manifestações públicas de apoio à captura, deixando claro aos brasileiros que eles celebram a detenção de Maduro, demonstrando alegria ao ver as imagens dele e de Cilia Flores algemados rumo aos Estados Unidos, onde passarão o resto de seus dias na prisão pelo imenso dano causado à Venezuela. Disso, os militantes preferem não falar.
Vale destacar que mesmo jornalistas próximos ao oficialismo brasileiro foram críticos a Maduro. Lembremos que uma das primeiras ações de Lula foi recebê-lo no Brasil e apresentá-lo ao mundo como vítima de narrativas e quase como um anjo. Na ocasião, jornalistas brasileiros que antes apoiaram Lula foram duros em suas críticas, reconhecendo em Maduro um violador de direitos humanos e, especialmente, um agressor da imprensa. Durante essa visita, uma jornalista brasileira foi agredida por um funcionário do regime.
A imprensa brasileira, em geral, tem sido mais realista nesse tema: reconhece que Maduro é um violador de direitos humanos e um agressor sistemático de jornalistas. Além disso, destacou que, após a captura, o regime tutelado pelos Estados Unidos e liderado por Delcy Rodríguez prendeu vários jornalistas por exercerem seu trabalho. Não há solidariedade automática, mas sim o reconhecimento de uma realidade inegável: esse regime é indefensável.
Essa mudança de percepção deve-se em grande parte aos testemunhos de mais de 600 mil venezuelanos que vivem no Brasil. Nossa presença teve impacto majoritariamente positivo: somos trabalhadores, gente educada, decente, familiar, alegre e com uma gastronomia atraente ao paladar brasileiro. Graças às nossas histórias, a imprensa e a sociedade brasileira se interessaram pelo que ocorre na Venezuela. Essa empatia com nosso sofrimento impede tapar o sol com a peneira.
No entanto, nada disso parece importar aos militantes fanáticos da esquerda. Eles carecem de empatia humana e de interesse genuíno por nossa realidade. Interessa-lhes nosso petróleo (embora não possam comprá-lo) e desprezam o sofrimento dos mais fracos e as agressões do regime contra eles. Felizmente, são um grupo muito reduzido entre os mais de 200 milhões de brasileiros que abriram seu país para nos receber. São centenas dentro de milhões. Um setor cada vez mais minoritário que, de olho nas eleições de 2026, afastará seus próprios eleitores com seu radicalismo desumano.
