“Gustavo Petro acaba de assinar sua própria sentença. Nós, no Congresso dos Estados Unidos, não levaremos isso na brincadeira. Pelo contrário, é extremamente sério”, disse o congressista americano Carlos Giménez em resposta à afirmação do presidente colombiano de que o Cartel dos Sóis “não existe”. E, sem considerar as consequências, Gustavo Petro colocou a mão no fogo por Nicolás Maduro: “Se a verdade custar a prisão, então eu vou para a cadeia”, disse.

O presidente colombiano, Gustavo Petro, respondeu nesta segunda-feira ao congressista americano Carlos Giménez que está disposto a ir para a prisão por dizer “a verdade”, depois que o legislador disse que o presidente assinou “sua própria sentença” ao afirmar que o Cartel dos Sóis, declarado por Washington há um mês como uma organização terrorista, “não existe”, em seu esforço para defender seu aliado venezuelano, Nicolás Maduro, acusado pelos EUA de ser o líder deste grupo e por quem os Departamentos de Justiça e o Departamento de Estado estão oferecendo US$ 50 milhões por sua captura, após dobrar a recompensa há algumas semanas.

“Você não tem o direito de condenar nenhum presidente eleito pelo povo na América Latina. Você poderia ter condenado (Augusto) Pinochet, mas ele acabou se revelando um aliado”, escreveu o presidente colombiano em sua conta no X. “Tenho provas dos compradores de cocaína colombiana que está sendo contrabandeada para a Venezuela. E se a verdade custar a prisão, então eu também irei para a cadeia, Sargento”, acrescentou Petro.

Nesta segunda-feira, Petro afirmou no X que o Cartel dos Sóis, grupo que os Estados Unidos vinculam ao regime chavista e classificam como uma organização terrorista transnacional, “não existe”. Segundo Petro, o Cartel dos Sóis “é a desculpa fictícia da extrema direita para derrubar governos que não a obedecem”.

Giménez, republicano e membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, também comentou no X, chamando a declaração do presidente colombiano de “extremamente grave”. “Gustavo Petro acaba de assinar sua própria sentença. No Congresso dos Estados Unidos, não vamos levar isso na brincadeira. Pelo contrário, é extremamente grave”, afirmou Giménez, motivando a resposta do presidente colombiano.

Segundo Petro, o fluxo de cocaína colombiana pela Venezuela é controlado pelo que ele chamou de “Junta do Narcotráfico”, uma organização supostamente composta pelo Clã do Golfo e os dois principais “dissidentes” das FARC (o Estado-Maior Central e a Segunda Marquetália), cujos “chefes vivem na Europa e no Oriente Médio”.

Os Estados Unidos acusam Nicolás Maduro de tráfico de drogas e terrorismo e, em 7 de agosto, a procuradora-geral Pam Bondi anunciou uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à sua captura.

As trocas verbais entre Washington e Caracas, onde Petro agora entrou, aumentaram após o envio de três navios dos EUA com 4.000 soldados para águas do sul do Caribe, na costa da Venezuela, para combater o tráfico de drogas, uma medida que a ditadura chavista descreveu como uma ameaça à estabilidade regional.

Petro insistiu nesta segunda-feira que propôs à Venezuela e aos Estados Unidos coordenar esforços para enfrentar a “Junta do Narcotráfico” em vez de “submeter” outros “governos”, deixando de lado o fato de que o regime de Maduro permanece no poder pela força após a fraude cometida nas eleições de 28 de julho do ano passado, que o próprio Petro questionou inicialmente exigindo a publicação da ata para reconhecer o resultado, mas depois decidiu virar a página, olhar para o outro lado e retomar sua habitual defesa do chavismo.

Com informações da EFE