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Peru, com quatro ex-presidentes presos ao mesmo tempo: Toledo, Humala, Castillo e Vizcarra

Pedro Pablo Kuczynski continua sob investigação e impossibilitado de deixar o país após passar três anos em prisão domiciliar, Alán García cometeu suicídio antes de ser preso, o falecido Alberto Fujimori foi libertado em 2023 após ser condenado a 25 anos de prisão desde 2009, e sua filha, Keiko Fujimori, embora não tenha se tornado presidente após três tentativas, também passou um tempo em prisão preventiva.

Lima, 13 de agosto (EFE) – A ordem de prisão preventiva emitida na quarta-feira contra o ex-presidente Martín Vizcarra (2018-2020) faz com que o Peru tenha um total de quatro ex-presidentes presos, sendo quatro cumprindo penas pendentes e outros imersos em processos judiciais por supostos casos de corrupção.

Vizcarra será preso, assim como os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), Ollanta Humala (2016-2021) e Pedro Castillo (2021-2022), enquanto o ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018) continua sob investigação e não pode sair do Peru após passar três anos em prisão domiciliar.

Martín Vizcarra, que aparece em várias pesquisas como um dos nomes mais populares para as eleições de 2026, apesar da tripla inabilitação imposta pelo Congresso, foi enviado para prisão preventiva na quarta-feira, aguardando a conclusão do julgamento no qual é acusado de corrupção.

O Ministério Público pede uma pena de 15 anos de prisão para Vizcarra, que supostamente recebeu 2,3 milhões de soles (US$ 611.000) em propinas enquanto era governador da região sul de Moquegua (2011-2014).

Segundo o Ministério Público, ele pode ter recebido parte do dinheiro em 2016, quando já era Ministro dos Transportes e Comunicações e Vice-Presidente do Peru durante o mandato presidencial de Kuczynski. Ele o sucedeu em 2018, quando começaram as investigações contra PPK, como o ex-presidente é conhecido, e ele foi destituído do cargo pelo Congresso.

O Instituto Penitenciário Nacional (INPE) ainda não anunciou o presídio para onde Vizcarra será enviado, embora haja especulações de que possa ser Barbadillo, o presídio de ex-presidentes peruanos onde Toledo, Humala e Castillo estão atualmente encarcerados, e onde também esteve detido o falecido Alberto Fujimori (1990-2000).

Condenações para Toledo e Humala

Após um longo processo de extradição dos Estados Unidos, Alejandro Toledo foi condenado em outubro de 2024 a 20 anos e seis meses de prisão por conluio e lavagem de dinheiro, por ter recebido propina no valor de US$ 35 milhões da construtora brasileira Odebrecht na adjudicação de vários trechos da Rodovia Interoceânica.

Toledo, 79, está atualmente enfrentando um segundo julgamento por lavagem de dinheiro na prisão, onde a promotoria busca uma sentença de 16 anos e oito meses por supostamente transferir parte dos subornos da Odebrecht para a empresa Ecoteva, criada na Costa Rica pela sogra do ex-presidente, Eva Fernenbug, para adquirir propriedades imobiliárias multimilionárias no Peru.

Em abril deste ano, Humala foi condenado em primeira instância a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro, por ter recebido contribuições ilícitas do falecido ditador venezuelano Hugo Chávez e da Odebrecht para financiar suas campanhas eleitorais em 2006 e 2011, respectivamente.

O líder do Partido Nacionalista havia passado quinze meses em prisão preventiva na prisão de Barbabillo, localizada na sede da Diretoria de Operações Especiais (Diroes) da Polícia Nacional. Ele passou nove meses lá entre 2017 e 2018, período em que também esteve preso com Fujimori.

Ao mesmo tempo, Ollanta Humala, de 63 anos, enfrenta uma nova acusação do Ministério Público, que pede que ele seja condenado a 35 anos de prisão pelos supostos crimes de associação ilícita para cometer delitos e lavagem de dinheiro, neste caso pela suposta licitação irregular do Gasoduto Sul Peruano, que foi ganha pela Odebrecht.

Pedro Castillo, por sua vez, está em prisão preventiva desde o final de 2022 , quando foi preso em 7 de dezembro, minutos após liderar uma tentativa frustrada de golpe, ao ver que o Congresso se preparava para tramitar um pedido de impeachment (remoção do presidente) contra ele após indícios de corrupção em seu governo.

Prisão longa para PPK

Enquanto isso, Kuczynski, 86, passou três anos em prisão domiciliar, entre 2019 e 2022, e, apesar de não ter impedimento legal, em junho deste ano teve seu embarque negado para os Estados Unidos, alegando que estava viajando para tratamento médico e para visitar sua esposa.

Desde que deixou o cargo, Kuczynski foi acusado em vários casos, incluindo supostos subornos da Odebrecht disfarçados de serviços de consultoria e assessoria, bem como suposta lavagem de dinheiro, declarações falsas e fraude processual, depois que cinco cidadãos negaram, no final de 2018, ter feito contribuições financeiras para sua campanha de 2016.

Embora nunca tenha se tornado presidente após perder no segundo turno três vezes, Keiko Fujimori também passou um tempo em prisão preventiva após ser acusada de contribuições irregulares para suas campanhas políticas, enquanto o ex-presidente Alan García (1985-1990 e 2006-2011) não chegou à prisão ao se suicidar em 2019, quando ia ser detido por supostos subornos.

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