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Os EUA estão pressionando Díaz-Canel: exigirão sua renúncia e a libertação efetiva dos presos políticos

Assim que o ditador deixar o poder, Washington deixará “os próximos passos nas mãos dos cubanos”, segundo a reportagem exclusiva do New York Times.

O governo Trump exigirá a renúncia do ditador cubano Miguel Díaz-Canel. Uma reportagem do New York Times publicada na segunda-feira detalha que os negociadores americanos “também querem que Cuba concorde em demitir alguns funcionários veteranos que permanecem fiéis às ideias de Fidel Castro”. Se confirmada, essa seria a maior mudança política na ilha desde a Revolução Cubana de 1959.

A informação surge após Díaz-Canel ter declarado, em Havana, que estava em “negociações” com Washington “com o objetivo de encontrar soluções, através do diálogo, para as diferenças entre os dois governos”. No entanto, longe de representar uma vantagem para o ditador, as conversações revelaram que o regime de Castro se encontra numa situação delicada.

Protestos tomam as ruas de Cuba à medida que a crise e os apagões se agravam. Somente nas últimas horas, o país sofreu seu sexto apagão nacional em apenas um ano e meio. Enquanto isso, a atividade econômica está praticamente paralisada. Os cubanos exigem o fim da ditadura, que, segundo informações que chegam ao público, está nas mãos da Casa Branca.

Trump planeja que empresas americanas se mudem para Cuba

Os Estados Unidos “não estão pressionando por medidas contra membros da família Castro”. Portanto, uma vez que o ditador esteja fora do poder, os EUA deixarão “os próximos passos nas mãos dos cubanos”, de acordo com uma reportagem exclusiva do veículo de mídia americano, citando quatro pessoas familiarizadas com as discussões.

O resultado traria “mudanças econômicas estruturais” para a ilha, incluindo a abertura de sua economia para empresas americanas. Embora a Casa Branca não tenha confirmado essa informação, nos últimos dias o presidente dos EUA insinuou a possibilidade de um cenário semelhante ao da Venezuela, após a captura de Nicolás Maduro e a retomada das relações com aquele país. Cuba parece estar seguindo o mesmo caminho.

Os EUA exigem a libertação total dos presos políticos

Nessas conversas, que revelam a situação desesperadora de Miguel Díaz-Canel, Washington não apenas pede sua renúncia, mas também a libertação efetiva dos presos políticos, que no final de fevereiro deste ano somavam 1.214, segundo a ONG Defensores dos Prisioneiros.

Horas antes, numa tentativa de demonstrar uma suposta vontade de trazer a paz a Cuba, a ditadura anunciou a libertação de 51 prisioneiros “após mediação direta do Vaticano”. Mas nem todos eram prisioneiros políticos, como afirmam os meios de comunicação pró-Castro. Na realidade, apenas 19 são prisioneiros políticos, como revela um relatório de uma ONG. Ou seja, 60% do total “seria composto por criminosos comuns”. Isto torna-se “mais um jogo macabro, como o que o regime venezuelano joga com os seus prisioneiros políticos”, como salienta a organização.

Para piorar a situação, cinco pessoas teriam sido detidas no último fim de semana após uma manifestação perto da sede do Partido Comunista Cubano, no município de Morón, província de Ciego de Ávila. Esta última informação não foi confirmada pelo regime nem por organizações independentes. Se confirmada, aumentaria o número de presos políticos, cuja libertação imediata os Estados Unidos exigem.

Por Oriana Rivas.

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