Militantes e lideranças de esquerda já não veem no Partido dos Trabalhadores um lugar onde possam garantir os privilégios que o sistema oferece e, somado à incapacidade de Lula de apresentar resultados, migram para outros partidos que lhes permitam sobreviver.

Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao poder em 2022 graças a uma ampla aliança que uniu forças políticas de esquerda e centro-esquerda. Hoje, essa coalizão está se desfazendo rapidamente. Os erros acumulados de Lula corroeram sua popularidade e amplificaram a desaprovação pública na corrida para as eleições de 2026.

O episódio mais recente e simbólico ocorreu há poucos dias: 17 diretorias estaduais do histórico partido MDB anunciaram publicamente que não apoiariam a reeleição de Lula. Representando mais de 70% dos membros do partido, exigiram neutralidade total, sepultando efetivamente qualquer possibilidade de uma indicação à vice-presidência pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Este não é um caso isolado. O Partido Socialista da Libertação (PSOL) rejeitou a aliança com o PT, mas decidiu apoiar a reeleição de Lula de forma tática e condicional. Essa decisão revela descontentamento interno e uma ambição particular pelo poder: o partido mantém um distanciamento organizacional do PT enquanto finge uma lealdade oportunista para evitar o isolamento.

No âmbito municipal, a base do partido pode começar a se desintegrar. Ativistas e lideranças de esquerda já não veem o Partido dos Trabalhadores como um lugar onde possam garantir os privilégios oferecidos pelo sistema e, somado à incapacidade de Lula de apresentar resultados, estão migrando para outros partidos que lhes permitam sobreviver: PSOL, Rede, PV ou mesmo partidos de centro. O PT corre o risco de se tornar um espantalho institucional: com uma estrutura formal, mas sem vitalidade real, enquanto seus membros buscam uma vida política efetiva sob outras bandeiras. Esse êxodo silencioso acelera a desintegração da já impotente máquina eleitoral vermelha.

As pesquisas confirmam a queda: o índice de desaprovação pessoal de Lula ultrapassa 50% em diversos institutos (Meio/Ideia 50,5%, AtlasIntel 50,7%), e a rejeição à sua candidatura chega a 43%–49%, segundo Quaest, Paraná e Alfa. Mais da metade (52,2% no Paraná Pesquisas) acredita que ele não merece a reeleição. O governo enfrenta avaliações negativas persistentes em avaliações econômicas e administrativas, com altos índices de rejeição no Sudeste, Centro-Oeste e entre os independentes.

Diante desse cenário político fragmentado, Flávio Bolsonaro emerge como uma figura poderosa. O senador e pré-candidato à presidência está consolidando o voto fiel da direita de Bolsonaro, ao mesmo tempo que amplia sua base. Ele está moderando sua retórica, dialogando com governadores centristas e apresentando propostas econômicas viáveis. Sua presença está crescendo nas pesquisas: ele lidera em estados-chave como São Paulo (chegando a 39% no primeiro turno, segundo o Real Time Big Data) e está praticamente empatado com Lula em Minas Gerais (42,7% contra 45,1% no segundo turno, Paraná Pesquisas). Em âmbito nacional, ele está empatado em um possível segundo turno (41% no Quaest/Genial, também um empate técnico com Lula, segundo o Datafolha, 43% contra 46%).

Lula já não governa com a mesma coligação que o levou ao Palácio do Planalto. Seu índice de desaprovação ultrapassa consistentemente os 40-50% e continua a subir. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro constrói uma trajetória que combina a lealdade popular com a capacidade de diálogo. O ano de 2026 não será uma repetição de 2022, quando Lula da Silva conseguiu derrotar Jair Bolsonaro. Diante desse cenário, será que Lula poderia reconsiderar a candidatura a um quarto mandato? Esta será a eleição em que o governo que sufoca os cidadãos e a economia com sua pesada carga tributária será punido, e a capacidade de unir esforços sem trair princípios para salvar o país será recompensada.

Por Roderick Navarro.