O mais preocupante é que alguns atores políticos da oposição brasileira replicaram essa desinformação, chegando a parabenizar o povo por uma suposta libertação e celebrações nas ruas de Caracas.

Após o resgate dos últimos presos políticos americanos pelo segundo governo de Donald Trump, uma ação que enganou habilmente os criminosos chavistas, intensificou-se a pressão internacional contra a tirania venezuelana. Como parte dessa estratégia, foi emitido um alerta de viagem de máximo perigo, recomendando que cidadãos americanos não viajem à Venezuela, para evitar que o regime capture novos reféns. Além disso, a administração dobrou a recompensa por Nicolás Maduro e declarou o Cartel de los Soles como grupo terrorista.

No entanto, nos últimos dias, alguns meios de comunicação e formadores de opinião no Brasil disseminaram informações imprecisas, gerando uma percepção equivocada na opinião pública. Em alguns casos, afirmou-se que a ditadura já caiu; em outros, que uma invasão militar à Venezuela é iminente. Vejamos o que realmente está acontecendo.

A rede CNN, citando a Reuters, noticiou que quatro navios americanos chegariam às “costas da Venezuela” na quarta-feira, 20 de agosto. A verdade é que essas embarcações nunca chegaram, e não houve registro de qualquer evento relevante nesse sentido em território venezuelano.

Por sua vez, a revista Veja publicou que aviões de vigilância americanos foram vistos sobrevoando as costas venezuelanas no mesmo dia. Contudo, não há evidências visuais que sustentem essa afirmação; a informação baseia-se apenas em uma postagem de um usuário na rede social X.

O meio digital @NewsLiberdade, também no X, afirmou em 21 de agosto que os navios americanos chegariam à Venezuela nesta mesma semana. Apesar de contar com mais de 400 mil seguidores, a conta não citou nenhuma fonte adicional para embasar sua versão.

Antes dessas datas, alguns meios alternativos já espalhavam manchetes como “Drones americanos em movimento e Maduro levado a um bunker”. Esse foi o caso do @meioindep, que também alegou que o ditador foi à embaixada da China em Caracas para “pedir ajuda contra os Estados Unidos”. Essas notícias falsas geraram milhares de interações e alimentaram a narrativa de uma suposta queda iminente do regime chavista.

O mais preocupante é que alguns atores políticos da oposição brasileira replicaram essa desinformação, chegando a parabenizar o povo por uma suposta libertação e celebrações nas ruas de Caracas. Será que não possuem assessores capazes de verificar as informações antes de se pronunciarem publicamente?

Em suma, o que realmente ocorre é que os Estados Unidos mobilizaram forças militares no mar do Caribe, fora das águas territoriais venezuelanas, com o objetivo de combater rotas de narcotráfico. Essa ação também pode pressionar o regime e provocar uma mudança interna.

De qualquer forma, os Estados Unidos não buscam uma mudança de regime na Venezuela, mas proteger seus interesses regionais, especialmente na luta contra o narcotráfico. E, se isso facilitar a ascensão de um novo governo venezuelano, não se oporiam.