Na hipótese de Flávio ficar inelegível, a oposição bolsonarista poderia agir com a mesma inteligência e astúcia: escolher um candidato de unidade que mantenha o ímpeto das pesquisas e a vontade popular. A inelegibilidade não seria o fim do movimento, mas a prova de que o regime teme perder.
O regime tirânico que controla o Brasil nunca descansa. Enquanto as pesquisas confirmam a ascensão constante de Flávio Bolsonaro e o declínio contínuo de Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, abriu um novo inquérito que pode impedi-lo politicamente de governar. O momento escolhido não parece ser acidental: a Polícia Federal tem 60 dias para realizar as diligências necessárias, e esse prazo expira durante a Copa do Mundo, quando todo o Brasil está tomado pela paixão nacional. Com a campanha eleitoral oficial a poucos meses de distância, é fácil concluir que essa ação é vista como uma manobra calculada para silenciar a principal figura da oposição no momento em que o país está mais distraído.
Isso só beneficiaria o PT. Se Flávio ficar inelegível, um debate urgente se abrirá sobre a chapa vice-presidencial e o calendário de anúncios. Além disso, isso impactará as alianças locais para os governos estaduais e a disputa pelo Senado. O Partido Liberal (PL) entende isso claramente: ganhar a presidência não basta. Ele também precisa do Senado para viabilizar o impeachment dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e pôr fim à perseguição judicial que está sufocando a oposição.
A história recente da Venezuela oferece um exemplo concreto e esperançoso que os brasileiros podem estudar para se prepararem caso o pior cenário se concretize. María Corina Machado, impedida de concorrer pelo regime de Nicolás Maduro, não desistiu. Inicialmente, indicou Corina Yoris para substituí-la, mas o chavismo a impediu de se registrar como candidata. A oposição, ciente dessa possibilidade, registrou simultaneamente Edmundo González Urrutia como seu candidato de unidade. Fora do alcance do “olho de Sauron”, a indicação foi aceita pelo Conselho Nacional Eleitoral, e María Corina o reconheceu como seu porta-estandarte: disse ao povo que votar em Edmundo era votar nela, e em 28 de julho de 2024, apesar de todos os obstáculos impostos pela ditadura, a oposição venezuelana venceu as eleições. Foi uma lição de astúcia e unidade: quando o judiciário desqualifica o líder, a oposição apresenta o candidato que representa a continuidade do projeto e vence.
O Brasil poderia se inspirar nessa estratégia? Sem dúvida. Na hipótese de Flávio ficar inelegível, a oposição bolsonarista poderia agir com a mesma inteligência e astúcia: escolher um candidato de unidade que mantenha o ímpeto das pesquisas e a vontade popular. A inelegibilidade não seria o fim do movimento, mas a prova de que o regime teme perder.
Vivemos no auge da tirania. Até onde irá o judiciário se lançar uma perseguição sistemática contra todos os apoiadores de Bolsonaro? Quantos candidatos serão desqualificados simplesmente por representarem a mudança? A mensagem do regime é clara: não competir, eliminar. Flávio Bolsonaro está ganhando terreno porque personifica a esperança de milhões de brasileiros fartos da corrupção, dos impostos, da inflação e do autoritarismo. É por isso que o atacam agora, com a mesma ferocidade com que atacavam seu pai.
O Brasil está numa encruzilhada, dividido entre o poder da popularidade e o poder da autoridade. O professor Olavo de Carvalho ensinava que poder é a capacidade de realizar uma intenção proclamada, e o poder se exerce por meio de meios. Portanto, ser popular não implica ser poderoso se faltam os meios para alcançar o que se deseja. A oposição precisa consolidar os meios necessários para exercer o poder e atingir seus objetivos, e a popularidade, neste momento, serve apenas para ganhar eleições.
A ação contra Flávio Bolsonaro é política, não jurídica. Essa intenção é extremamente frágil diante de um povo farto de tiranos. Se a determinação prevalecer, os brasileiros têm a possibilidade de vencer essa batalha, ao lado da liderança política de Flávio Bolsonaro, para enfrentar qualquer obstáculo imposto pela tirania.
Por Roderick Navarro.
