Uma série de vídeos de câmeras de segurança revelou que Jerí foi jantar no dia 26 de dezembro, usando um capuz, com a aparente intenção de não ser reconhecido, em um chifa – restaurante de comida tusán (peruano-chinesa) – do empresário Zhihua ‘Johnny’ Yang, cuja loja ele também visitou em 6 de janeiro, horas depois de ter sido fechada pelas autoridades municipais por descumprimento das normas locais.

O presidente interino do Peru, José Jerí, pode estar com os dias contados se uma série de moções de censura forem aprovadas nesta terça-feira, levando à sua destituição e à oitava mudança presidencial no país andino em quase uma década, a menos de dois meses das eleições gerais.

Jerí, que em sua condição de presidente do Congresso ascendeu à Presidência do país em outubro passado para substituir a presidente deposta Dina Boluarte (2022-2025) e governar o Peru até novas eleições, pode ver seu mandato terminar prematuramente devido às investigações abertas contra ele apenas quatro meses após assumir o poder.

Nas últimas semanas, acumularam-se moções de censura contra o presidente interino, à medida que sua popularidade diminui, um efeito que levou os partidos com maioria no Congresso, que inicialmente apoiaram a posse de Jerí, a agora buscarem se distanciar dele a poucas semanas das eleições.

Apenas o fujimorismo, o maior partido no parlamento peruano, mantém seu apoio explícito a Jerí, mesmo com as investigações abertas pelo Ministério Público contra ele por tráfico de influência, por supostamente ter realizado encontros semiclandestinos com empresários chineses que são contratados do Estado e da própria presidência.

Uma série de vídeos de câmeras de segurança revelou que Jerí foi jantar em 26 de dezembro, encapuzado, aparentemente com a intenção de não ser reconhecido, em um chifa – um restaurante peruano-chinês – de propriedade do empresário Zhihua ‘Johnny’ Yang, cuja loja ele também visitou em 6 de janeiro, horas depois de o estabelecimento ter sido fechado pelas autoridades municipais por violar as normas locais.

Em seguida, veio à tona uma série de contratações de funcionários que haviam se reunido anteriormente no Palácio do Governo, em Lima, com o presidente, uma delas durante a noite do Halloween, de acordo com os registros oficiais de entrada e saída de pessoas da sede presidencial.

Jerí entrou para o Congresso peruano nas eleições de 2021 como substituto do ex-presidente Martín Vizcarra (2021-2024), que havia sido destituído do cargo, após obter pouco mais de 11.600 votos. Em poucos meses, passou de deputado de baixo escalão pelo partido Somos Perú a liderar comissões, presidir o Congresso inteiro e, a partir daí, ascender à Presidência após a destituição de Boluarte.

Antes de se tornar presidente do Congresso, uma acusação de estupro contra ele, supostamente ocorrida no final de 2024, foi arquivada pelo procurador-geral interino, Tomás Gálvez. Ele também foi acusado de enriquecimento ilícito por supostamente solicitar quantias em dinheiro em troca de promover projetos de lei na Comissão de Orçamento.

Jerí argumenta que sua eventual destituição deve ocorrer por 87 votos, equivalentes a dois terços da câmara, conforme exigido pela Constituição para presidentes eleitos por voto popular, mas uma lei promulgada pelo próprio Congresso estabelece que, nesses cenários, o presidente da República não perde seu status de presidente do Congresso.

Assim, as moções apresentadas propõem censurá-lo como presidente do Congresso, o que automaticamente o leva a perder a investidura de chefe de Estado.

Caso as moções sejam aprovadas, surge um grande dilema sobre qual congressista deve assumir a Presidência. A principal candidata é 
Maricarmen Alva, figura que já presidiu o Congresso em 2021 e foi uma das principais figuras da oposição ao presidente de esquerda Pedro Castillo (2021-2022).