Isso faz parte da estratégia do governo norte-americano de Donald Trump para atacar os pontos fracos do castrismo. Como resultado, o regime de Daniel Ortega anunciou a eliminação do visto gratuito para cidadãos cubanos e a Guatemala ordenou o fim das brigadas médicas.
A pressão que o governo dos EUA, sob a liderança de Donald Trump, exerce sobre Cuba está aumentando, a ponto de aqueles que antes eram aliados do regime de Castro também estarem tomando medidas. É o caso da Nicarágua, onde o regime de Daniel Ortega eliminou a isenção de visto para cubanos provenientes daquele país caribenho.
Conforme estipulado na disposição 001-2026, “todos os cidadãos da República de Cuba com passaportes comuns tiveram sua categoria de imigração alterada de ‘A’, isenta de visto, para a categoria ‘C’”, segundo o texto obtido pelo portal de notícias La Prensa. Em outras palavras, embora o pagamento para obtenção do documento não seja mais exigido, o processo torna-se obrigatório. Dados da ONU revelaram que 985 cubanos residiam na Nicarágua em 2019. No entanto, a questão central reside no fato de que muitos utilizavam a Nicarágua como ponto de trânsito para os Estados Unidos. Por exemplo, estima-se que, entre 2022 e 2023, pelo menos 600 mil cubanos utilizaram o país centro-americano como escala.
Não é descabido interpretar isso como um gesto da ditadura de Ortega em direção aos Estados Unidos. A ditadura sandinista também está sob o escrutínio de Trump como parte de uma estratégia para acabar com as tiranias na região que ameaçam a segurança nacional dos EUA. Ao cancelar a isenção de visto para cubanos, o regime de Castro também é prejudicado, pois a migração serve a dois propósitos. Primeiro, alivia a pressão do descontentamento social. Segundo, os emigrantes cubanos se tornam uma fonte de remessas para suas famílias na ilha. Portanto, Miguel Díaz-Canel não pode mais contar com Daniel Ortega, seu antigo aliado, para facilitar esses objetivos.


Guatemala cancela missões médicas cubanas
Em abril de 2025, Cuba e Guatemala celebraram 123 anos de relações diplomáticas. Agora, o Ministério das Relações Exteriores ordenou o fim das brigadas médicas cubanas. Segundo a Prensa Libre, 420 profissionais atuam atualmente no sistema público de saúde da Guatemala. A decisão será implementada gradualmente até 2027 e, embora as autoridades não tenham explicado os motivos, ela coincide com dois anúncios dos Estados Unidos.
Uma delas ocorreu em julho de 2025, quando Washington ordenou restrições de visto para autoridades centro-americanas que apoiam a chegada de médicos cubanos, um programa considerado “escravidão moderna” por organizações internacionais, além de fonte de divisas para o regime de Castro, devido às altas taxas em dólares cobradas dos países por cada médico (que, aliás, recebem apenas uma pequena porcentagem). Outra veio em janeiro deste ano, com a suspensão de vistos para 75 nações “cujos migrantes recebem benefícios sociais do povo americano em proporções inaceitáveis”, segundo o Departamento de Estado. Guatemala, Nicarágua e Cuba constam nessa lista.
Assim, a estratégia do governo dos EUA é atacar as fragilidades da ditadura cubana não apenas diretamente — anunciando tarifas sobre aqueles que vendem o petróleo que sustenta o regime de Castro — mas também pressionando seus aliados a cortar outras fontes de receita que beneficiam a ditadura liderada por Miguel Díaz-Canel. Enquanto isso, o ditador tenta manter a autoestima de seus apoiadores mencionando um suposto plano de emergência nacional — do qual não forneceu detalhes — e recorrendo mais uma vez à retórica do “bloqueio”.
Entretanto, a crise na ilha se agrava. Apagões afetam 61% do país, segundo o último boletim oficial; companhias aéreas anunciam cancelamentos de voos devido à escassez de combustível; diversos hotéis fecham por falta de energia; e hospitais suspendem atendimentos ao público por falta de suprimentos. Tudo isso ocorre sob o regime de Castro e a corrupção desenfreada que reina na ilha há quase 70 anos.