“Parte da discussão sobre geopolítica é acabar com o socialismo assassino. Seja na Venezuela, em Cuba ou na Nicarágua”, afirmou o presidente argentino Javier Milei em entrevista ao canal Neura.
Buenos Aires, 7 de janeiro (EFE) – O presidente argentino, Javier Milei, afirmou na noite de terça-feira que os Estados Unidos não estão tentando se apropriar do petróleo da Venezuela. Ele assegurou que o presidente Donald Trump “está redesenhando a ordem mundial” e pediu o fim do “socialismo assassino” na Venezuela, em Cuba e na Nicarágua.
“É muito interessante porque Trump está redesenhando a ordem mundial, mudando o foco da globalização para a geopolítica. E parte da discussão geopolítica é acabar com o socialismo assassino. Seja na Venezuela, em Cuba ou na Nicarágua”, declarou Milei no canal
Neura.
O presidente acrescentou que “está em curso um realinhamento, e é evidente que, nesse realinhamento, alguns atores estão em melhor posição do que outros”, e defendeu seu alinhamento com os Estados Unidos: “Acredito que assumimos uma posição clara mesmo antes de sermos eleitos. Isso fazia parte de nossa plataforma eleitoral, de nossa aliança geopolítica.”


Além disso, ele separou a geopolítica do comércio e insistiu que não pretende romper os laços comerciais que a Argentina mantém com a China.
Questionado sobre a intervenção dos EUA na Venezuela para capturar Nicolás Maduro, Milei disse que “é estúpido quando falam em querer se apoderar do petróleo” e acrescentou que, em todo caso, a relevância de controlar o petróleo é “cortar o fornecimento aos comunistas”.
🚨🇦🇷🇺🇸 | #AGORA Javier Milei sobre a política internacional de Trump: “Ele está redesenhando a ordem mundial. Ele vai acabar com o socialismo assassino, seja na Venezuela, em Cuba, na Nicarágua e em outros lugares que serão derrotados nas eleições, sem dúvida alguma…”. pic.twitter.com/G2SKmcP8ER
— La Derecha Diario (@laderechadiario) 7 de janeiro de 2026
“Todas essas pessoas que estão tão preocupadas com o petróleo da Venezuela não disseram uma palavra quando ele estava sendo tomado, por exemplo, por Cuba. Ou quando estava sendo tomado pelo Irã e pelos terroristas. É estranho”, acrescentou, enfatizando que “o motivo pelo qual os Estados Unidos estão removendo Maduro da Venezuela tem a ver com o narcotráfico”.
Além disso, ele insistiu em suas acusações contra o chavismo por suas “profundas ligações com o PSOE (partido espanhol) e com o Podemos”, pela suposta interferência eleitoral na Argentina, Colômbia, México e Bolívia, e por suas “estratégias de intromissão e infiltração em países para gerar desestabilização”.
Ele também reiterou suas alegações de que o regime venezuelano era financiado pelo narcotráfico, que estava ligado a operações de lavagem de dinheiro e que tinha laços com o Irã, o Hezbollah, o Hamas e grupos como o ELN e as FARC na Colômbia.
“É um estado narcoterrorista que exportou terrorismo. Hoje, o terrorismo tem muitas facetas diferentes. E financiou políticos, jornalistas, meios de comunicação e empresários. É por isso que tantas pessoas estão preocupadas com o que está acontecendo na Venezuela”, acrescentou.
Milei foi um dos primeiros líderes mundiais a expressar seu apoio, no sábado, ao ataque dos EUA à Venezuela e à captura de Nicolás Maduro, e seu governo defendeu enfaticamente o governo Trump na segunda-feira perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, considerando que o regime venezuelano constitui uma ameaça direta tanto para seu próprio país quanto para toda a região.