O líder da oposição venezuelana, que passou quase um ano na prisão, pede paciência e cautela para que as fases da transição se desenrolem em seus respectivos prazos. Ele também insiste que María Corina Machado seja respeitada como a “candidata naturalmente indicada” para a próxima eleição presidencial e considera “válida” a proposta de uma assembleia constituinte para legitimar o governo e garantir a governabilidade.
O processo de transição na Venezuela, após a captura de Nicolás Maduro nas primeiras horas de 3 de janeiro, continua avançando. Embora o governo dos EUA, que coordena o regime interino de Delcy Rodríguez, esteja focado nas fases de estabilização e recuperação econômica, os líderes da oposição venezuelana pressionam incessantemente para que a etapa que permitirá o retorno do país à democracia não seja esquecida, visto que o chavismo mais uma vez empregará sua estratégia mais eficaz: ganhar tempo. É por isso que María Corina Machado mantém uma agenda ativa no exterior, voltada para a promoção da realização imediata de eleições presidenciais. E da Venezuela, Juan Pablo Guanipa, seu braço direito na campanha de 2024, assumiu uma missão semelhante desde que recuperou a liberdade.
“O regime de Delcy Rodríguez deve concordar em participar de um processo eleitoral o mais rápido possível”, disse Guanipa em entrevista ao PanAm Post. Embora reconhecendo “diferenças” quanto ao cronograma, ele pediu paciência e cautela para garantir que cada fase da transição se desenrole dentro do prazo adequado. “Se levar um ano, levará um ano; se levar seis meses, levará seis meses; se levar um ano e meio, levará um ano e meio. Mas já estamos em um processo no qual podemos alcançar mudanças políticas na Venezuela, então não podemos abandonar o processo. Devemos ver até onde podemos chegar no cumprimento de cada etapa, garantindo que isso aconteça no menor tempo possível.”


Além disso, Juan Pablo Guanipa enfatiza a necessidade da libertação de todos os presos políticos e do retorno dos exilados ao país para que ocorra uma transição para a democracia. Ele também exige respeito por essa transição, observando que María Corina Machado venceu as primárias de 2022 com mais de 90% dos votos e, portanto, afirma que ela é a “candidata natural” para as próximas eleições presidenciais. Quanto à possibilidade de concentrar seus esforços no âmbito regional para recuperar o governo do estado de Zulia, que lhe foi arbitrariamente retirado após sua vitória eleitoral em 2017, ele prefere não especular. “Nem penso nisso. O poder não me enlouquece, não me corrompe”, respondeu, enfatizando que já demonstrou sua posição sobre o assunto quando se recusou a tomar posse perante uma assembleia constituinte fraudulenta para não legitimar Nicolás Maduro na época.
E para que a governança seja possível nesta nova etapa política, ele não descarta a necessidade de uma assembleia constituinte para permitir a reinstitucionalização do Estado e a legitimação de todos os poderes. “Se tiver que ser por meio de uma eleição presidencial seguida de uma assembleia constituinte, acho que é válido”, observa, listando também outras possibilidades, como a realização de eleições regionais prévias ou a substituição do regime interino de Delcy Rodríguez por uma junta governante.
Aqui está a entrevista completa…