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Jornalistas lideram lista de presos políticos libertados nesta quarta-feira na Venezuela

Das 863 pessoas privadas de liberdade por motivos políticos pelo regime chavista, apenas 74 foram libertadas até o meio-dia desta quarta-feira, de acordo com o balanço de diferentes organizações sindicais e de direitos humanos.

Eles nunca deveriam ter sido presos. Pelo menos 18 pessoas privadas de liberdade na Venezuela por motivos políticos – quase todas jornalistas – foram libertadas nesta quarta-feira, conforme confirmado por diversas organizações de direitos humanos e trabalhistas, elevando o total para 74 presos políticos que se reencontraram com seus familiares, de um total de 863 contabilizados pela ONG Foro Penal até 29 de dezembro.

Isso não é um ato de justiça ou boa vontade, mas sim o resultado da pressão do governo dos Estados Unidos. Após os atentados na madrugada de 3 de janeiro, que levaram à captura de Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores, o chavismo, que permanece no poder hoje sob um governo interino liderado por Delcy Rodríguez como presidente em exercício, teve que ceder às exigências de Washington para avançar rumo a uma transição, de acordo com o plano de três fases apresentado pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Os presos políticos libertados esta quarta-feira são os jornalistas Víctor Ugas Azócar, Carlos Marcano, Rafael García, Leandro Stevenson Palmar Fuenmayor, Belises Cubillán Fuenmayor, Julio Balza, Yanela Nakary Mena Ramos, Gianni Angeli González Díaz, Gabriel González, Carlos Julio Rojas, Ramón de Jesús Centeno Navas, Luis López, Mario Chávez Cohen, Ángel Godoy, Omario Castellanos, o locutor de rádio e fotojornalista Carlos Lesma, o cientista político Nicmer Evans, além de Roland Carreño, que além de jornalista é ativista do partido Vontade Popular (VP), segundo informações divulgadas pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP), pelo Colégio Nacional de Jornalistas (CNP), pelo Foro Penal e pela Realidad Helicoide.

Esse “número significativo” de presos políticos que o presidente da Assembleia Nacional pró-governo, Jorge Rodríguez, prometeu libertar permanece baixo, considerando que, em 29 de dezembro, 863 pessoas estavam detidas por motivos políticos, segundo o levantamento do Foro Penal. Desse total, 757 eram homens e 106 mulheres, dos quais 687 eram civis e 176 eram militares, incluindo um menor de idade.

As autoridades interinas no poder na Venezuela continuam a recusar a libertação do líder político Juan Pablo Guanipa, que é sem dúvida o preso político mais proeminente ainda atrás das grades. Ele foi o braço direito de María Corina Machado durante a campanha para as eleições presidenciais de 28 de julho de 2024 e também venceu a eleição para governador do estado de Zulia em 2017, mas foi destituído do cargo antes mesmo de assumir, por se recusar a submeter-se a Nicolás Maduro — uma manobra da ditadura para obter pelo menos algum reconhecimento da oposição.

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