No centro disso estaria Neville Roy Singham, um bilionário norte-americano residente em Xangai que promove narrativas alinhadas com o Partido Comunista.
A competição tecnológica entre os Estados Unidos e a China pela supremacia em inteligência artificial não é segredo. Enquanto o Pentágono firma acordos com empresas de IA para incorporá-las às suas operações militares, o gigante asiático subsidia laboratórios e universidades para fomentar novos avanços. Simultaneamente, uma campanha orquestrada pelo regime comunista chinês está em curso para impedir a construção de centros de dados nos Estados Unidos.
Por trás dessa campanha estão redes ligadas à propaganda chinesa, financiamento estrangeiro e organizações ativistas ocidentais, de acordo com um novo relatório do Bitcoin Policy Institute intitulado “Influência Estrangeira na Campanha Contra a IA nos EUA”. A pesquisa explica que esses grupos estão impulsionando campanhas contra centros de dados e projetos de infraestrutura de IA nos EUA, enquanto a China expande suas próprias capacidades tecnológicas como uma questão de política de Estado.
No centro disso tudo está Neville Roy Singham, um bilionário americano residente em Xangai que promove narrativas alinhadas com o Partido Comunista Chinês. Coincidentemente, segundo outras investigações, seus recursos financeiros também estão ligados aos protestos “Sem Reis”, que denunciavam o “autoritarismo” do governo de Donald Trump, bem como à “caravana para Cuba”, composta por grupos progressistas que visitaram Havana para protestar contra o “bloqueio” dos EUA.
Coordenação entre a mídia chinesa e grupos progressistas
Entre as organizações citadas por criticarem a criação de centros de dados de inteligência artificial está a CodePink, por disseminar conteúdo crítico a projetos em Utah e outras partes dos EUA. O grupo liderou a viagem a Cuba em março, encobrindo a ditadura de Castro, enquanto se hospedava em hotéis de luxo com eletricidade e comida em abundância durante toda a estadia.
A CodePink afirma em seu site que “os centros de dados são tanto produtos quanto produtores de guerras que matam pessoas e destroem o planeta em escala global”. Eles argumentam que o uso de combustíveis fósseis nessas instalações representa “recursos frequentemente obtidos por meio da violência e que a tecnologia de combustível é cada vez mais utilizada para cometer crimes de guerra”.
Utilizando esse tipo de conteúdo, esta e outras organizações sem fins lucrativos “financiadas por Singham” passaram anos “fomentando a oposição à expansão da infraestrutura de IA e dos centros de dados nos Estados Unidos, em coordenação com a propaganda chinesa e redes de ativistas financiadas por estrangeiros”. Nesse contexto, a mídia financiada pela China também desempenha um papel significativo: a CGTN, o China Daily e o Global Times, a serviço do regime de Xi Jinping, “realizaram campanhas de disseminação direcionadas diretamente aos centros de dados de IA dos EUA e aos controles de exportação americanos”.
Links para Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez
Diversas instituições de caridade com ligações estrangeiras, incluindo as do bilionário suíço Hansjörg Wyss e a Oak Foundation do magnata britânico Alan Parker, “canalizaram mais de 2 bilhões de dólares para a infraestrutura de defesa de organizações nos EUA. Uma parte significativa desse dinheiro flui agora diretamente para as organizações que lideram a campanha contra os centros de dados”, acrescenta o relatório.
No entanto, a campanha de influência contra a IA nos EUA não estaria completa sem o apoio de figuras públicas. Entre elas estão a congressista de extrema esquerda Alexandria Ocasio-Cortez e o senador socialista Bernie Sanders. A Fox News destaca que ambos estão pressionando pela aprovação de um projeto de lei para suspender a construção de novos data centers de IA (o AI Data Center Moratorium Act). Além disso, Sanders organizou um evento sobre os riscos da IA que contou com a presença de especialistas ligados a agências estatais chinesas.
Assim, ecoa a conclusão apresentada no estudo do Bitcoin Policy Institute: “O dilema que os Estados Unidos — e o mundo — enfrentam não é entre IA ou a ausência de IA, mas entre IA americana ou IA chinesa”.
Por Oriana Rivas.
