O candidato à Presidência do Brasil pediu ao presidente dos Estados Unidos que designasse “o mais rápido possível” as organizações brasileiras PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas.
Washington, 26 de maio (EFE) – O senador brasileiro Flávio Bolsonaro prometeu ao presidente dos EUA, Donald Trump, nesta terça-feira, durante uma reunião na Casa Branca, que o Brasil aderirá ao Escudo das Américas, uma aliança regional contra o narcotráfico promovida por Washington, caso ele vença as eleições presidenciais em outubro.
Em coletiva de imprensa, Flávio Bolsonaro revelou que pediu a Trump que designasse as organizações brasileiras PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas “o mais rápido possível”, medida à qual o governo de Luiz Inácio Lula da Silva se opõe, por considerar que violaria a soberania do país.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro permaneceu no complexo da Casa Branca por mais de uma hora e meia, embora não tenha especificado quanto tempo passou com Trump, com quem foi fotografado no Salão Oval.
O senador enfatizou que esta é a primeira vez que um presidente dos EUA recebe um candidato presidencial brasileiro na Casa Branca em pleno ano eleitoral, o que, em sua opinião, demonstra o “apreço” que ele tem por ele e pelo Brasil.
Flávio Bolsonaro afirmou que a primeira coisa que Trump lhe perguntou foi sobre o estado de saúde de seu pai, um aliado ideológico do líder americano que foi condenado à prisão por tentativa de golpe contra Lula.
“O Brasil se unirá ao Escudo das Américas”, que inclui governos de direita na região, como o de Javier Milei na Argentina e o de Nayib Bukele em El Salvador, para consolidar “uma grande aliança hemisférica contra o crime organizado”, prometeu Flávio Bolsonaro a Trump.
O senador defendeu a designação, pelos Estados Unidos, de grupos criminosos brasileiros como organizações terroristas, mas negou que isso abriria caminho para um possível ataque militar de Washington em território brasileiro e garantiu que “essa possibilidade está descartada”.
Ele também afirmou que o Brasil, com suas grandes reservas de minerais críticos nas quais Washington tem grande interesse, deveria ser uma “alternativa” ao monopólio que a China exerce sobre esse setor.
Escândalo que o liga a Daniel Vorcaro
Analistas sugerem que Flávio Bolsonaro buscou impulsionar sua candidatura com esse encontro com Trump após o vazamento que o liga a Daniel Vorcaro, banqueiro preso sob suspeita de estar por trás da maior fraude financeira da história do país, o que prejudicou seu apoio nas pesquisas contra Lula, que busca a reeleição.
A família Bolsonaro compartilha afinidades ideológicas com Trump, que tentou, sem sucesso, influenciar o processo legal contra Jair Bolsonaro ao impor altas tarifas sobre as importações brasileiras, medida que posteriormente reverteu após negociar com o governo Lula.
A viagem de Flávio Bolsonaro ocorre depois do encontro de Lula com Trump na Casa Branca, em 7 de maio, reunião que ambos os líderes descreveram como positiva.
