De 4,3 milhões de barris despachados em dezembro para portos norte-americanos, o número subiu para 6,2 milhões em janeiro, de acordo com o último relatório da Administração de Informação Energética dos EUA.
A prisão de Nicolás Maduro nas primeiras horas de 3 de janeiro não só mudou o cenário político da Venezuela, como também seu setor econômico e, em particular, o energético, dada a alta dependência do país da produção e exportação de petróleo. O bom relacionamento com o governo interino de Delcy Rodríguez, do qual o presidente dos EUA, Donald Trump, frequentemente se vangloria, veio acompanhado de um acordo petrolífero para o envio — inicialmente — de entre 30 e 50 milhões de barris para portos americanos. Durante seu discurso sobre o Estado da União, no final de fevereiro, o presidente republicano elevou a cifra para mais de 80 milhões. Além disso, no âmbito do processo de transição em três fases supervisionado por Washington, o secretário de Energia, Chris Wright, afirmou, durante sua recente visita a Caracas, que a venda de petróleo venezuelano sob sua supervisão ultrapassa US$ 1 bilhão e que esse valor poderá quintuplicar em breve. Mas o que dizem os números oficiais além das declarações políticas?
Na terça-feira, foi divulgado o primeiro dado do ano, correspondente às importações de petróleo venezuelano pelos Estados Unidos até janeiro de 2026, publicado pela Administração de Informação Energética dos EUA (EIA). Como esperado, o aumento foi significativo em comparação com o mês anterior. De 4,3 milhões de barris enviados para portos americanos em dezembro, o número subiu para 6,2 milhões, representando um aumento de 31,1%, o que demonstra a mudança nas relações entre os dois países, que nesta semana reabriram oficialmente suas embaixadas.
Em média, o volume diário de petróleo venezuelano exportado para os EUA aumentou de 141.900 para 206.266 barris. Espera-se que essa tendência de alta se acentue nos próximos meses, especialmente considerando que o Secretário de Energia anunciou, em fevereiro, que as vendas, que na época ultrapassavam US$ 1 bilhão, chegariam a US$ 5 bilhões nos meses seguintes. Chris Wright, o mesmo funcionário do governo Trump, afirmou apenas quatro dias após a prisão de Maduro que os EUA pretendiam manter um controle significativo sobre a indústria petrolífera venezuelana, incluindo o monitoramento da venda da produção do país “indefinidamente”.
Como parte dos acordos assinados entre Washington e Caracas nos últimos meses, após a posse de Delcy Rodríguez como presidente interina, a Casa Branca vem anunciando um relaxamento gradual das sanções para facilitar a retomada das operações de empresas petrolíferas estrangeiras no país sul-americano. Os números já mostram um contraste significativo em comparação com os seis meses anteriores à operação militar de 3 de janeiro em Caracas. Em julho, quando a recompensa pela captura de Maduro foi duplicada e teve início o envio de tropas do Pentágono para o Caribe, as exportações de petróleo venezuelano para os EUA despencaram para níveis não vistos desde o primeiro mandato de Trump, totalizando apenas 175 mil barris durante todo o mês. Posteriormente, mantiveram-se entre 3,1 e 4,3 milhões de barris por mês.
A retomada das exportações para a maior potência mundial vem acompanhada de um aumento significativo na produção, que em fevereiro foi de 10%, ultrapassando um milhão de barris por dia, segundo dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), após a aprovação da reforma da Lei de Hidrocarbonetos Orgânicos, que põe fim à política petrolífera chavista.
