“Outro cenário que não descarto seria uma operação realizada explicitamente pelos americanos e que terminasse na extração de Nicolás Maduro como fugitivo da lei americana”, disse o ex-diretor adjunto de inteligência das forças navais do Comando Sul dos Estados Unidos, Jesús Daniel Romero, em entrevista à rádio colombiana La FM.
A presença de três navios de guerra americanos na costa da Venezuela, como parte da política de segurança de fronteiras e combate ao narcotráfico do governo do presidente Donald Trump, gerou todo tipo de análise e especulação. Embora a Casa Branca tenha especificado que se trata de uma operação para impedir a entrada de drogas em território americano, não descartou “usar todo o seu poder” contra o regime de Nicolás Maduro para atingir esse objetivo. Além disso, o fato de esse deslocamento militar ter sido ordenado logo após o ditador venezuelano declarar o Cartel dos Sóis uma organização terrorista transnacional e aumentar a recompensa pelo ditador venezuelano de US$ 25 milhões para US$ 50 milhões aumentou as expectativas de intervenção direta na Venezuela, bem como a paranoia entre a liderança que permanece no poder em Miraflores. Existe realmente a possibilidade de os EUA estarem preparando uma operação para extrair Maduro? Um ex-oficial da Marinha não descarta essa possibilidade.
O ex-diretor adjunto de inteligência das forças navais do Comando Sul dos EUA, Jesús Daniel Romero, disse nesta quarta-feira em entrevista à rádio colombiana La FM que, diante da mobilização militar do Pentágono no sul do Caribe, ele vê dois cenários possíveis. O primeiro inclui ações de atores internos. “Possivelmente, membros do próprio governo venezuelano assumirão a liderança na prisão de Nicolás Maduro e sua entrega aos americanos”, observou. Em relação ao segundo, os fuzileiros navais dos EUA desempenhariam um papel de liderança. “Outro cenário que não descarto seria uma operação explicitamente realizada pelos americanos e que culminasse na extração de Nicolás Maduro como fugitivo das forças policiais americanas, que poderia ser transferido para a força-tarefa que opera no Caribe”, alertou.


“Não é uma intervenção convencional”
Romero esclareceu que mesmo o segundo cenário seria uma “ação com fundamento legal” protegida pelo Título 50 da lei dos Estados Unidos, que “autoriza a realização de operações clandestinas, restrições, sanções e até mesmo o uso de força militar”, especialmente após Washington se recusar a reconhecer Maduro como chefe de Estado, o que “dá aos Estados Unidos o arcabouço legal para realizar essa operação”, enquadrada em sua política de segurança interna e combate ao narcotráfico. “Agora temos um presidente mais focado em proteger a fronteira dos Estados Unidos, reduzir a criminalidade e coibir o narcotráfico”, acrescentou.
Para o ex-oficial do Comando Sul, uma operação dessa natureza não seria uma intervenção convencional, considerando que “Nicolás Maduro não é o presidente legítimo da Venezuela após os resultados das eleições de 28 de julho do ano passado”. Por isso, ele acredita que não poderia ser comparada às intervenções dos EUA no Iraque e no Afeganistão, por exemplo.
“Não pode haver intervenção porque não estamos falando de um Estado que tem um governo e um presidente, temos uma organização criminosa que tomou conta do Estado”, disse ele, comparando o caso venezuelano com as ações realizadas no passado no Panamá e em Granada, já que o objetivo atual seria neutralizar uma ameaça direta aos Estados Unidos, o que também conta com o apoio da procuradora-geral, Pam Bondi, que foi a encarregada de anunciar o aumento da recompensa pela captura de Maduro e expôs as consequências para a população americana da mistura da droga que chega da Venezuela com fentanil, que segundo o especialista, é o que aumentou as mortes de viciados e não viciados nos EUA.
Esta declaração está em consonância com a resposta dada pela Secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, nesta terça-feira, quando um repórter a questionou sobre os navios de guerra enviados à costa venezuelana com 4.000 fuzileiros navais a bordo. “O presidente Trump tem sido muito claro e consistente: ele está preparado para usar todo o poder dos Estados Unidos para interromper o fluxo de drogas para o nosso país e levar os responsáveis à justiça.”