A multinacional britânica Unilever já evacuou as famílias de seus funcionários estrangeiros na ilha e cerca de uma dezena de embaixadas de países europeus e latino-americanos estão revisando seus planos de contingência e evacuação, de acordo com uma reportagem da agência EFE.

A queda da ditadura cubana está cada vez mais próxima. A captura de Nicolás Maduro nas primeiras horas de 3 de janeiro marcou o início do colapso do regime castrista, que esteve no poder por mais de seis décadas. Já à beira do colapso devido à grave crise de energia elétrica e à escassez de alimentos e medicamentos, o regime perdeu agora não apenas seu maior fornecedor de combustível, mas também seu potencial sucessor, que optou por evitar tensões com Washington. Sem a Venezuela e o México, Havana só pode esperar o último suspiro. Enquanto isso, os Estados Unidos aumentam a pressão, aguardando o momento preciso para desferir o golpe final. Algumas missões diplomáticas já antecipam esse cenário e revisam seus planos de contingência e evacuação, enquanto empresas multinacionais optaram por não esperar e já estão evacuando as famílias de seus trabalhadores estrangeiros.

Uma intervenção militar dos EUA na ilha é cada vez mais provável. Embora o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, tenha declarado nesta quarta-feira, durante uma audiência perante a Comissão de Relações Exteriores do Senado, que esse cenário não está sendo considerado no momento, ele enfatizou que esperam uma mudança de regime em Cuba em breve; e o Subsecretário de Estado, Christopher Landau, acrescentou que espera que os cubanos possam “exercer suas liberdades fundamentais” ainda este ano. Isso coincide com informações divulgadas na semana passada pelo Wall Street Journal, que, citando fontes próximas à Casa Branca que indicaram que Washington está “encorajado pela queda de Nicolás Maduro”, afirmou que o governo Trump busca apoio interno para “derrubar o regime comunista antes do final do ano”.

A multinacional britânica Unilever — que fabrica produtos de higiene, beleza e limpeza na ilha — é a primeira empresa a levar a sério os alertas dos EUA ao regime. Segundo reportagem da agência de notícias EFE, a empresa já evacuou as famílias de seus funcionários estrangeiros do país, dada a possibilidade de uma intervenção militar semelhante à ocorrida há menos de um mês em Caracas, que poderia levar à rápida queda da ditadura cubana.

Algumas embaixadas, assim como outras empresas, já estão revisando seus planos de contingência e evacuação. Quase uma dúzia de países europeus e latino-americanos informaram à agência de notícias mencionada que estão atualizando seus planos de evacuação de seus funcionários estrangeiros. “É nossa responsabilidade revisar os planos e preparar cenários”, afirmou um diplomata em Havana, que pediu para permanecer anônimo.

Outro cenário, ainda mais provável, é o que está sendo considerado por outras missões diplomáticas, que afirmaram estar se preparando para enfrentar “longos períodos sem eletricidade, combustível e água”. Os alertas da empresa estatal de energia elétrica, Unión Eléctrica (UNE), estão se tornando cada vez mais alarmantes, com previsões nesta semana de que mais de 60% de Cuba ficará sem energia.

Além disso, após o fechamento do fornecimento de petróleo venezuelano para Cuba na sequência da captura de Maduro, a Petróleos Mexicanos (Pemex) decidiu suspender o embarque de uma carga destinada à ilha, numa reviravolta que coincide com o aumento da pressão dos EUA sobre a ditadura, que Washington espera que em breve também se torne história.