O Pentágono assinou um contrato de 71 milhões de dólares com a empresa Gecko Robotics para colocar em operação um exército de robôs que reduzirá a desvantagem naval em relação ao regime chinês.

Em estaleiros por todo o Oceano Pacífico, enxames de robôs subirão silenciosamente a bordo de navios de guerra americanos. Isso pode parecer algo saído de um filme de ficção científica, mas a cena está prestes a se tornar realidade graças a um contrato assinado com a Gecko Robotics, uma fabricante líder em novas tecnologias. Atualmente, apenas 60% da frota naval dos EUA está operacional, uma situação que representa um problema significativo diante da rivalidade geopolítica com a China.

Esses robôs escaladores não disparam armas nem patrulham; eles realizam inspeções usando inteligência artificial. Sua principal função é inspecionar navios da Marinha dos EUA em busca de corrosão, rachaduras ocultas e falhas estruturais, evitando assim que as embarcações sejam retiradas de serviço. Para isso, o Pentágono e a Gecko Robotics assinaram um contrato no valor de US$ 71 milhões. Segundo a Fox News, os primeiros robôs serão responsáveis ​​pela modernização de 18 navios nesta fase inicial.

Em outras palavras, a estratégia do governo Trump não está focada em construir mais navios, mas em mantê-los prontos e operacionais, com o objetivo de atingir 80% de disponibilidade até 2027. Como explica o CEO da Gecko Robotics: “Não adianta ter 300 navios se 40% deles estiverem em dique seco.”

Entretanto, a China possui a maior marinha do mundo em termos numéricos, com mais de 370 navios de guerra, incluindo submarinos, de acordo com o “Relatório sobre o Poder Militar da China” publicado no ano passado pelo Pentágono. Em contraste, os Estados Unidos possuem cerca de 296 navios de guerra.

É assim que funcionam os robôs escaladores dos EUA

Os avanços tecnológicos eliminam as inspeções manuais e lentas em um contexto onde essa atividade ainda depende em grande parte de marinheiros ou operários de estaleiros suspensos por cordas. Para piorar a situação, os EUA enfrentam uma escassez de mão de obra qualificada. Como solução, robôs escaladores coletam milhões de pontos de dados, que são então inseridos em uma plataforma digital projetada para detectar problemas estruturais precocemente.

Pode-se dizer que o futuro já chegou, considerando que o Exército de Libertação Popular da China (ELP) também está trabalhando em suas próprias iniciativas, como enxames de drones inspirados no comportamento de falcões ou seu próprio “comandante virtual” criado com inteligência artificial para tomar decisões em conflitos armados.

Não demorará muito para que o mundo veja essas tecnologias em uso caso novos conflitos eclodam. Já existem registros do Pentágono utilizando inteligência artificial tanto na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro quanto no assassinato do aiatolá Ali Khamenei, do regime iraniano.

Os democratas podem interromper novos projetos militares baseados em inteligência artificial

Essa mudança tecnológica coincide com tensões políticas internas, à medida que parlamentares democratas pressionam por legislação que limite o uso de inteligência artificial nas forças armadas, particularmente em decisões letais. O projeto de lei, apresentado por Elissa Slotkin, senadora democrata por Michigan, busca impedir que a IA selecione alvos ou execute operações sem intervenção humana, numa tentativa de estabelecer salvaguardas éticas.

Embora essa legislação não afete diretamente os novos robôs escaladores, ela levanta uma questão: podem os Estados Unidos se dar ao luxo de limitar o uso militar da inteligência artificial quando seu principal rival está avançando sem tais restrições? A questão se refere à China, onde seu ditador, Xi Jinping, autoriza avanços financiados pelo Estado com o objetivo de superar seu principal inimigo geopolítico.

Por ora, o projeto dos democratas também visa impedir que armas de médio e longo alcance sejam usadas por inteligência artificial.

Por Oriana Rivas.