“Tivemos a Chevron, a Shell, a Repsol e a ENI — quatro das maiores empresas petrolíferas do mundo — dizendo: ‘Começaremos imediatamente a aumentar nossos investimentos e expandir nossa produção’. Tenho uma equipe de exploradores de petróleo americanos que dizem que irão para lá esta semana”, disse ele à Fox News.

Miami (EUA), 11 de janeiro (EFE) – O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse no domingo que as petrolíferas americanas Chevron e Shell, a espanhola Repsol e a italiana ENI “aumentarão imediatamente” seus investimentos na Venezuela após seu encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump.

“Tivemos a Chevron, a Shell, a Repsol e a ENI — quatro das maiores empresas petrolíferas do mundo — dizendo: ‘Começaremos imediatamente a aumentar nossos investimentos e expandir nossa produção’. Tenho uma equipe de exploradores de petróleo americanos que dizem que irão para lá esta semana”, disse ele à Fox News.

As declarações de Wright surgem após a reunião de sexta-feira entre Trump e executivos do setor petrolífero na Casa Branca, onde o presidente afirmou que haverá um investimento de “pelo menos US$ 100 bilhões de capital próprio, não dinheiro do governo”, para revitalizar a infraestrutura da Venezuela.

Embora o CEO da Repsol, Josu Jon Imaz, tenha dito a Trump que a empresa está preparada para “investir pesadamente na Venezuela”, a reunião foi marcada pela intervenção do CEO da Exxon, Darren Woods, que opinou que o país sul-americano “atualmente não é um destino viável para investimentos”.

Mas Wright afirmou que a visão da Exxon é “atípica”, declarando que há “pelo menos uma dúzia” de empresas prontas para retornar à Venezuela após o ataque militar dos EUA que levou à captura do presidente Nicolás Maduro há uma semana.

Ele explicou que isso inclui “cinco grandes” empresas que já estão “lá e aumentarão rapidamente sua produção, e provavelmente entre seis e doze outras” que estão “prontas para entrar”.

“Portanto, a velocidade com que veremos investimentos e mudanças na trajetória da produção da Venezuela é impressionante”, disse o secretário.

Analistas do setor energético expressaram ceticismo em relação ao plano de Trump para a Venezuela, país que possui as maiores reservas mundiais, equivalentes a 364 bilhões de barris, ou 17% do total, mas cuja produção representa apenas 1% da produção global, segundo dados da Standard & Poor’s (S&P).

Entre as reservas que citaram estão a obsolescência da infraestrutura venezuelana e a incerteza política, visto que a presidente interina da Venezuela é Delcy Rodríguez, uma forte aliada de Maduro e ex-funcionária de Hugo Chávez, que expropriou o petróleo.

Nesse contexto, Trump declarou “estado de emergência nacional” neste sábado para proteger a receita das vendas de petróleo venezuelano depositada nas contas do Tesouro dos EUA, o que impediria os credores da dívida externa da Venezuela de reivindicarem os fundos.

Após a expropriação petrolífera, houve cerca de 60 arbitragens desde 2000 contra a Venezuela, num valor total estimado de 30 bilhões de dólares, quase 15% da sua dívida internacional, de acordo com dados do Centro de Política Energética Global (CGEP) da Universidade de Columbia.