Em janeiro, Donald Trump apoiou os manifestantes no Irã, garantindo que a ajuda “estava a caminho”, um gesto que poderia muito bem ser interpretado como um destacamento militar. No entanto, houve outro tipo de ajuda que chegou ao território iraniano sem ser detectada pela ditadura dos aiatolás: cerca de 6.000 terminais Starlink.
Quando os Estados Unidos deslocaram seu maior porta-aviões, o USS Gerald Ford, para o Caribe, fizeram-no porque já havia um plano para uma operação que culminou nas primeiras horas de 3 de janeiro com a captura do ditador Nicolás Maduro. Cerca de 150 aeronaves decolaram do enorme navio de guerra, que serve como base militar móvel para as forças armadas mais poderosas do mundo. Agora, com essa missão considerada concluída e o foco voltado para outra região do globo, o Pentágono ordenou que o porta-aviões fosse transferido de perto da costa venezuelana, onde estava estacionado, para o Oriente Médio. O objetivo é aumentar a pressão sobre o regime iraniano após a brutal repressão dos protestos no final de dezembro e início de janeiro, que deixaram pelo menos 30.000 mortos, segundo organizações de direitos humanos. De Washington, o presidente Donald Trump apoiou os manifestantes, garantindo-lhes que a ajuda estava “a caminho”, um gesto que poderia facilmente ser interpretado como um envio militar. No entanto, houve outro tipo de ajuda que chegou ao território iraniano sem ser detectada pela ditadura dos aiatolás: cerca de 6.000 terminais Starlink.
Essas duas notícias que circularam nesta sexta-feira indicam que a Casa Branca está de olho em Teerã. Desde quinta-feira, a tripulação do USS Gerald Ford foi notificada de que não há planos para retornar às suas bases nos Estados Unidos até o final de abril ou início de maio, pois, por ora, eles devem seguir para o Oriente Médio, segundo fontes da Marinha dos EUA. Simultaneamente, foi revelado que o governo Trump forneceu secretamente ao Irã cerca de 6.000 terminais Starlink para ajudar os iranianos a contornar o bloqueio de comunicações imposto pelo regime teocrático, conforme relatado pelo The Wall Street Journal.


Esta é a primeira vez que os EUA enviam diretamente equipamentos da empresa de Elon Musk para o Irã, após a aquisição, pelo Departamento de Estado, de aproximadamente 7.000 terminais Starlink entre o final de 2025 e janeiro de 2026, segundo o veículo de imprensa americano mencionado anteriormente. A publicação também observa que esses dispositivos, usados para conectar-se à rede de internet via satélite da SpaceX, são proibidos no Irã, e seu uso no país acarreta pena de prisão de vários anos. Outro detalhe importante é que Trump estava ciente dessas entregas, de acordo com o WSJ, já que o presidente havia concordado com Musk em garantir que os iranianos pudessem usar o Starlink para acessar a internet durante os protestos.
O chefe da Casa Branca continua a esgotar todas as vias de diálogo com o Irã para chegar a um acordo sobre seu programa nuclear, após os bombardeios, em junho passado, de três instalações de enriquecimento de urânio por poderosos bombardeiros B-2, na chamada Operação Martelo da Meia-Noite. No entanto, Trump não descartou a possibilidade de uma “fase dois”, que, segundo ele, “será muito difícil para eles”. O presidente americano alertou o Irã nesta quinta-feira — mesmo dia em que o porta-aviões USS Gerald Ford recebeu ordens para seguir para o Oriente Médio — que, se o diálogo em curso fracassar, a única alternativa à diplomacia será uma resposta muito mais dura de Washington, que, em suas palavras, fará com que o Irã enfrente “consequências muito traumáticas”.