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Ditadura cubana procura na África o petróleo que lhe falta devido à ausência de Maduro

Isso demonstra que, embora o México tenha se tornado “o principal fornecedor de petróleo” para a ilha, o regime castrista também procura em outras latitudes seus derivados para sobreviver.

Qualquer fonte de recursos é válida para o regime de Castro, agora que não tem mais acesso aos carregamentos da PDVSA, após a queda de Nicolás Maduro. É por isso que a ditadura cubana está se voltando para a África para obter os barris de hidrocarbonetos que lhe faltam. Estes vêm do Togo, país que em 2023 se tornou o 56º maior exportador de petróleo refinado (de um total de 214) do mundo, segundo dados do Observatório da Complexidade Econômica (OCE).

O navio-tanque petroquímico que transporta os suprimentos chama-se Mia Grace e partiu de Lomé, capital do Togo, com chegada prevista a Havana em 4 de fevereiro, segundo o monitoramento do site Vessel Finder. Ele navega sob a bandeira das Ilhas Marshall e fez uma escala em Antuérpia, na Bélgica, antes de partir. A carga é desconhecida, mas estimativas de Jorge Piñón, pesquisador não residente do Instituto de Energia da Universidade do Texas, apontam para “diesel ou óleo combustível”, conforme relatado ao Diario de Cuba.

Isso demonstra que, embora o México tenha se tornado o principal fornecedor de petróleo bruto da ilha, o regime de Castro também busca seus produtos refinados em outros lugares. É uma tentativa de sobreviver agora que o governo Trump cortou os embarques para o regime chavista. Somente entre janeiro e novembro de 2025, o regime de Maduro enviou mais de nove milhões de barris de petróleo bruto, segundo cálculos anteriores da Reuters. Mas essa aliança é coisa do passado. O regime de Castro não pode mais contar com Caracas para sustentar suas operações.

Metade de Cuba na escuridão

Foi no início de janeiro que surgiram notícias de que a ditadura de Miguel Díaz-Canel estava reunindo suas reservas de petróleo a bordo de navios-tanque petroquímicos em Matanzas, possivelmente com a intenção de descarregá-las ou realocá-las. Tratava-se de seis embarcações pertencentes ao conglomerado empresarial Grupo de Administração Empresarial SA (GAESA), controlado pela liderança militar da ilha. Até o momento, o destino desses carregamentos permanece desconhecido, mas recorrer a remessas da África pode sinalizar que o regime de Castro está buscando desesperadamente suprimentos.

A verdade é que os cubanos comuns são os que mais sofrem. As usinas termelétricas estão obsoletas devido à completa falta de manutenção por parte do regime, agravada pela corrupção política. Como resultado, 58% da ilha ficou às escuras nas últimas horas porque, da demanda de 3.280 megawatts (MW), o sistema elétrico só consegue fornecer 1.405 megawatts.

Diversas estimativas indicam que são necessários entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões para estabilizar o sistema elétrico. No entanto, a ditadura continua culpando o “bloqueio” dos EUA, embora a própria GAESA tenha acumulado uma fortuna de US$ 18 bilhões, conforme noticiado com exclusividade pelo Miami Herald no ano passado.

É possível que Trump não pressione o México

Enquanto tudo isso acontece, o governo socialista de Claudia Sheinbaum deixa de declarar 87% de suas exportações para o regime cubano. Isso é demonstrado por uma investigação da organização Mexicanos Contra a Corrupção e a Impunidade (MCCI), que revelou que a estatal petrolífera Pemex informou à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) que, entre janeiro e setembro de 2025, enviou petróleo e derivados para Cuba no valor de US$ 400 milhões.

No entanto, “o valor das remessas declaradas à alfândega durante o mesmo período ultrapassa US$ 3 bilhões”, explica o grupo. A falta de transparência se deve ao fato de a empresa estatal mexicana não ter divulgado a contabilidade dessas remessas. A questão que permanece é se esse problema será finalmente esclarecido, já que, segundo o historiador cubano Rafael Rojas, Washington “não pressionará o México, apesar de o país ter se tornado o principal fornecedor de petróleo da ilha”.

“Pode continuar a haver pressão, mas não precisa necessariamente ser decisiva. Acho que a pressão sobre o México aumentará em outras áreas, como migração ou narcotráfico, que são prioridades para os EUA”, disse ele em entrevista à agência de notícias EFE.

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