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Díaz-Canel teme operação militar dos EUA, apoiada por 79% dos cubanos na Flórida

De Havana, o ditador cubano admitiu nesta quinta-feira que seu regime está sob “sérias ameaças”, incluindo a “agressão militar” dos Estados Unidos. Paralelamente, uma pesquisa do Miami Herald revela que 79% da comunidade cubana no sul da Flórida apoia a intervenção militar de Washington para derrubar o regime.

O ditador cubano Miguel Díaz-Canel declarou nesta quinta-feira que seu regime atravessa um momento “absolutamente desafiador” e que, entre as “sérias ameaças” que pairam sobre sua ditadura, está a “agressão militar” dos Estados Unidos, reconhecendo que as chances de uma intervenção aumentaram, como revelado nesta quarta-feira pelo USA Today; tudo isso com o apoio da grande maioria dos cubanos residentes no sul da Flórida.

Díaz-Canel fez essas declarações durante seu discurso no evento comemorativo do aniversário da declaração do caráter socialista da revolução cubana, que completa 65 anos em um momento de especial tensão com os Estados Unidos.

O jornal americano USA Today afirmou que o Pentágono está intensificando seus planos de intervenção militar em Cuba, enquanto aguarda ordens diretas do presidente dos EUA, Donald Trump, para agir.

Nesse contexto, Díaz-Canel instou os cubanos a “estarem prontos” para lutar contra uma “invasão” e se prepararem para a guerra. “Não a queremos, mas é nosso dever nos prepararmos para evitá-la e, se for inevitável, para vencê-la”, afirmou o atual ditador do regime de Castro, que parece ter esquecido como os EUA capturaram Nicolás Maduro em Caracas nas primeiras horas de 3 de janeiro, durante uma operação militar impecável que durou apenas algumas horas e não resultou em baixas americanas.

O herdeiro de Castro afirmou que Cuba é “um Estado ameaçado que não se rende, que resiste”, em resposta àqueles que chamam a ilha de “Estado falido”. Cuba é “um Estado, não se enganem, que prevalecerá”, acrescentou Díaz-Canel, ecoando uma retórica semelhante à de Maduro na Venezuela dias antes de sua prisão.

O ditador denunciou a “agressão multidimensional” dos Estados Unidos contra seu regime e lembrou especialmente a fracassada invasão da Baía dos Porcos por exilados cubanos (mas com apoio dos EUA) em 1961, cujo 65º aniversário é comemorado nesta sexta-feira.

Sem apresentar muitas informações novas, Díaz-Canel insistiu em falar sobre as sanções americanas e a “natureza genocida e multidimensional do bloqueio”, que ele descreveu – mais uma vez – como “a principal causa” da profunda crise em que a ilha se encontra, omitindo o fato de que Havana pode comercializar com o resto do mundo sem restrições – incluindo Rússia, China, Espanha, Canadá e muitas outras nações que têm investimentos em Cuba – bem como o fato de que a verdadeira razão para o sofrimento dos cubanos é a imposição de um sistema falido durante mais de seis décadas de uma brutal ditadura comunista.

Mas, se estamos falando de um bloqueio, após a captura de Maduro, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou sua atenção para a ilha e, juntamente com o secretário de Estado Marco Rubio, de ascendência cubana, vem trabalhando desde janeiro para estrangular o regime com um embargo de petróleo que paralisou as finanças da elite governante, a fim de forçar negociações ou a rendição. Por ora, ambos os lados reconheceram contatos bilaterais, mas até agora nenhum progresso ou resultado tangível foi alcançado. Enquanto isso, Trump fala em “tomar o controle de Cuba”, ou seja, lidar com a ilha assim que a guerra com o Irã terminar, como reiterou esta semana.

Quase todos os cubanos na Flórida apoiam a operação militar dos EUA

Até onde o governo Trump está disposto a ir para alcançar mudanças em Cuba? A resposta permanece em aberto, e as opções estão sobre a mesa. O que é certo é que, qualquer que seja a decisão tomada, terá o apoio da comunidade cubana exilada nos Estados Unidos. De fato, 79% da comunidade cubana no sul da Flórida apoia uma intervenção militar dos EUA em Cuba, enquanto uma porcentagem semelhante rejeita negociações que permitam que o regime de Castro permaneça no poder, de acordo com uma pesquisa publicada na quinta-feira pelo Miami Herald.

A pesquisa, encomendada pelo jornal, foi realizada entre 6 e 10 de abril com uma amostra de 800 residentes nos condados de Miami-Dade, Broward, Palm Beach e Monroe. O resultado: 79% dos cubanos na Flórida expressaram apoio à ação militar, incluindo 36% que apoiariam uma operação para derrubar a ditadura e 38% que seriam favoráveis ​​a uma intervenção que combinasse a mudança de regime com uma resposta à emergência humanitária.

A pesquisa reflete um amplo apoio à política em relação a Cuba promovida pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e pelo secretário de Estado, Marco Rubio.

“O que a comunidade está dizendo aqui é que está dando sinal verde para o governo Trump intervir militarmente em Cuba e fazer o que for necessário para derrubar o regime”, disse ao jornal Fernand Amandi, presidente da Bendixen & Amandi International, uma das empresas que realizaram a pesquisa juntamente com o The Tarrance Group.

O estudo, com uma margem de erro de mais ou menos 3,5 pontos percentuais, também mostra forte oposição a acordos que mantenham o sistema político atual, com 69% “firmemente” contrários a tal pacto, enquanto a oposição total sobe para 78%, de acordo com o Miami Herald.

Além disso, 77% indicaram que não acolheriam bem negociações que melhorassem as condições econômicas sem uma transição para eleições livres, e 68% rejeitaram qualquer diálogo que pudesse fortalecer o regime cubano.

Com informações da EFE e do Miami Herald.

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