Cuba pode chegar à “hora zero” em sua crise energética se o regime não negociar com o governo Trump, alertam especialistas como Jorge Piñón, diretor do Programa de Energia para a América Latina e o Caribe da Universidade do Texas.
Os cubanos terão o acesso à televisão limitado a apenas oito horas por dia devido à crise energética que assola Cuba, consequência de anos de corrupção de Castro. Essa situação prejudica principalmente o regime, que controla os meios de comunicação e os utiliza para propaganda e doutrinação. O anúncio foi feito pela Rádio Ciudad del Mar, emissora controlada pela ditadura, que afirmou que a decisão partiu da Companhia Cubana de Radiodifusão e Televisão (Radiocuba). Essa é uma das últimas medidas tomadas na ilha, onde os apagões afetaram 62% do país nas últimas 24 horas.
Não se deve esquecer que a Radiocuba gera a transmissão de sinais de rádio e televisão em todo o território nacional e que existem relatos de interrupções anteriores em zonas como Ciego de Ávila e Holguín, pelo que o resto do país e os 45 canais no total poderão ser afetados pela nova medida que, paradoxalmente, limita as possibilidades de doutrinação.
O racionamento será aplicado em três horários da Rádio Ciudad del Mar, localizada em Cienfuegos: “O programa matinal Buenos Días, o noticiário do meio-dia e o bloco vespertino que começa com o debate Mesa Redonda e termina com a telenovela. O restante da programação será suspenso para reduzir o consumo de diesel nos geradores de emergência”, explica o site 14 y Medio.
“Havana sem medo”, com protestos e panelas batendo
Sem as doações de petróleo do chavismo na Venezuela e no México, o castrismo luta para sobreviver. A escassez de petróleo bruto e derivados está paralisando a rede elétrica, criando um efeito dominó em todo o país. Além disso, Díaz-Canel enfrenta declarações quase diárias do governo Trump, sugerindo a queda iminente de um regime que se mantém no poder há 67 anos.
O fim do regime de Castro parece iminente, dada a pressão de Washington e o colapso do país, em meio a protestos que exigem o fim da ditadura. Protestos espontâneos com panelas batendo e manifestações em algumas ruas foram relatados em Havana e outras partes do país. Embora possam parecer manifestações públicas isoladas, são um sinal de descontentamento generalizado. O slogan
de um protesto no bairro de Lawton, no município de Diez de Octubre, era “Havana sem medo”.
Nesta fase da crise, o argumento que culpa o “bloqueio dos EUA” parece cada vez menos credível. Diversas estimativas independentes apontam para a necessidade de entre 8 e 10 bilhões de dólares para estabilizar o sistema elétrico. No entanto, a ditadura, entrincheirada no poder há seis décadas, acumulou quase o dobro desse valor em contas bancárias pertencentes ao Grupo de Administração de Empresas S.A. (GAESA), gerido pelas Forças Armadas Revolucionárias.
Portanto, a redução das horas de transmissão televisiva pelo regime reflete sua completa falta de vontade de lidar com a crise subjacente em Cuba. Pelo contrário, continuam a culpar as sanções e o “estrangulamento energético” impostos por Washington. Enquanto isso, especialistas como Jorge Piñón, diretor do Programa de Energia para a América Latina e o Caribe da Universidade do Texas, alertam que Cuba pode chegar à “hora zero” em seu setor energético se o regime não negociar com o governo Trump.
Por Oriana Rivas.
