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Como estão os protestos das mulheres no Afeganistão após quase cinco anos de regime talibã?

Por EFE

Algumas moradoras do bairro de Jebrail ousaram sair às ruas na terça-feira para denunciar a detenção de pelo menos 30 mulheres e meninas nos últimos dias, supostamente por infringirem o rigoroso código de vestimenta imposto pelo regime.

Cabul, 10 de junho (EFE) – O protesto na cidade afegã de Herat, que foi violentamente reprimido pelo Talibã na terça-feira e que contou com a participação de homens e mulheres, é um evento sem precedentes após quase cinco anos de regime fundamentalista no Afeganistão.

A manifestação cidadã, que conseguiu reunir cerca de 70 pessoas, segundo relatos locais, desafia uma tendência observada desde a tomada de Cabul em 2021: o desaparecimento quase total da dissidência nas ruas, especialmente a das mulheres, que foram eliminadas da esfera pública.

De acordo com dados do projeto de monitoramento Afghan Witness (AW), a proporção de protestos femininos ao ar livre no país tem diminuído ano após ano sob o jugo do Talibã, passando de 88% do total para apenas 6% em 2024.

Um protesto quase sem precedentes em Herat

Algumas moradoras do bairro de Jebrail ousaram ir às ruas na terça-feira para denunciar a prisão de pelo menos 30 mulheres e meninas nos últimos dias, supostamente por violarem o rígido código de vestimenta imposto pelo regime.

Agentes do Ministério para a Propagação da Virtude e a Prevenção do Vício realizaram a onda de prisões arbitrárias em aplicação da interpretação da lei islâmica feita pelo Talibã, que recentemente adicionou uma nova diretiva proibindo as mulheres de mostrarem o rosto ou usarem maquiagem em público.

As forças de segurança do Talibã abriram fogo contra a multidão para dispersar a marcha, deixando pelo menos uma vítima fatal, uma criança, informou na quarta-feira a Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA).

Após o tiroteio, o Talibã lançou hoje uma operação massiva para militarizar a área e impedir novos protestos, além de impor um rígido bloqueio médico, proibindo a transferência dos feridos para hospitais que não estejam sob o controle direto do governo, de acordo com testemunhas que falaram à EFE.

Sem dados seguros

A rígida censura do regime talibã torna impossível saber exatamente quantos protestos de rua ocorreram no país nos últimos anos.

A maior parte dos protestos registrados ocorreu em Cabul ou Herat, os principais centros urbanos do país, devido a questões diretamente relacionadas a restrições educacionais, à perda do direito ao emprego e a imposições rigorosas à liberdade de movimento e de vestimenta.

Segundo AW, a visibilidade da dissidência civil nas ruas tem sido progressivamente sufocada devido ao perigo físico da repressão.

Relatórios de fontes abertas detalham que o Talibã aplica punições coletivas e por proximidade: quando mulheres tentam protestar ou são presas, o Talibã persegue, prende e espanca severamente seus parentes homens, que são considerados legalmente responsáveis ​​(mahram) pela conduta das mulheres.

A ONU estima que pelo menos 130 manifestantes foram presos desde agosto de 2021 e relata que muitos sofrem espancamentos e tortura sob custódia.

O relatório também observa que mais de 27 jornalistas foram atacados ou detidos arbitrariamente por cobrirem protestos civis, um apagão de informações que o Talibã usa para negar abusos e rotular denúncias nas redes sociais como mera “propaganda”.

A internet, a janela das mulheres para o mundo

Segundo o banco de dados da AW, mais de 94% das manifestações e campanhas de resistência civil lideradas por mulheres migraram inteiramente para o ambiente digital no último ano, sob estrita anonimidade.

Um relatório do Centro para a Resiliência da Informação (CIR) alerta que ativistas que levam suas queixas para a internet sofrem uma campanha sistemática de violência e cyberbullying, registrando um aumento de 217% no discurso de ódio nas redes sociais e mais de 60% dos ataques diretos por meio de insultos sexualizados graves.

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