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Como as divergências entre Israel, os EUA e o Irã estão deixando o tratado de paz à beira do colapso

Por Oriana Rivas

O presidente dos EUA afirma que “ao longo da próxima semana” poderá ser fechado o acordo definitivo para pôr fim à guerra, mas as negociações não parecem promissoras.

Fatores militares, diplomáticos, energéticos e geopolíticos permeiam a atual situação entre Israel, os Estados Unidos e o Irã. Após surgirem relatos de que um possível acordo para o fim da guerra estava próximo, a República Islâmica anunciou sua retirada das negociações. Entre os motivos citados, estavam a recusa em encerrar seu programa nuclear, que poderia levar ao desenvolvimento de uma bomba atômica, e o anúncio de novas exigências para a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) comercializados no mundo.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, publicou uma mensagem nas redes sociais afirmando que “se o Hezbollah não parar de atacar nossas cidades e cidadãos, Israel atacará alvos terroristas em Beirute… As forças israelenses continuarão operando conforme planejado no sul do Líbano”. Ele publicou essa mensagem depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ter chegado a um acordo com o grupo terrorista para cessar seus ataques contra Israel. A questão pode ser resumida em uma frase: os bombardeios locais entre as partes envolvidas acabaram afetando as negociações entre Washington e Teerã.

A verdade é que a assinatura de um acordo de paz rápido no Oriente Médio está por um fio, sustentada por frágeis promessas de cessar-fogo. Se o grupo terrorista Hezbollah — cujo principal financiador é o regime islâmico do Irã, com quase um bilhão de dólares anualmente, segundo os EUA — não bombardear território israelense, as Forças de Defesa de Israel (IDF) não retaliarão em solo libanês. O compromisso de trégua já foi quebrado antes em ambas as frentes, desencadeando uma reação em cadeia por parte de Teerã. Existe uma solução? Por enquanto, não. No entanto, o presidente dos EUA afirma que um acordo final para pôr fim à guerra poderá ser alcançado “ao longo da próxima semana”.

O Irã quer ganhar tempo contra Trump

Qualquer acordo que permita a restauração do transporte marítimo e a preservação da influência sobre o Estreito de Ormuz “seria visto como um sucesso pela administração iraniana”, relata a Reuters. No entanto, a questão permanece: quem realmente está no comando da República Islâmica agora? Após a morte do aiatolá Ali Khamenei, na sequência da operação “Fúria da Noite” conduzida por Israel e Estados Unidos, seu filho, Mukhta Khamenei, foi nomeado como a suprema autoridade política e religiosa.

Embora tenham surgido relatos de que ele também foi ferido no mesmo ataque, e vários veículos de comunicação tenham noticiado ferimentos, acredita-se que ele permaneça no comando do país, embora sua ausência em aparições públicas mantenha as especulações vivas. Mesmo que Mukhta Khamenei ainda esteja vivo, algumas decisões estratégicas podem estar sendo tomadas pela Guarda Revolucionária. Há rumores de que planos para ganhar tempo no acordo com os Estados Unidos estejam partindo de lá.

Diversas análises, incluindo uma da Reuters, sugerem que o Irã está usando a pressão militar exercida pelo Hezbollah sobre Israel para obter vantagem. Os recentes ataques com drones estão forçando as forças israelenses a concentrar recursos contra o Líbano, enquanto Teerã busca negociar com os Estados Unidos, reconstruir suas capacidades militares danificadas e melhorar sua posição em eventuais negociações regionais.

Em meio à troca de farpas, o Axios publicou parte de uma suposta conversa entre Trump e o primeiro-ministro israelense. O presidente republicano teria usado a expressão “você está completamente louco” depois que Netanyahu afirmou que atacaria “alvos terroristas” em Beirute se o Hezbollah não interrompesse seus ataques contra Israel. Assim se desenrola o drama dos bastidores de um conflito no Oriente Médio sem uma solução imediata aparente.

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