O ativista foi a principal voz a denunciar um conflito entre a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) e dissidentes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) que se desenvolveu em uma zona fronteiriça entre os dois países naquele ano, diante da falta de dados oficiais.

Caracas, 1º de fevereiro (EFE) – A ONG venezuelana Foro Penal informou neste domingo que o ativista e diretor da organização Fundaredes, Javier Tarazona, foi libertado da prisão após passar mais de quatro anos detido, acusado dos supostos crimes de incitação ao ódio, terrorismo e “traição à pátria”.

“Agora livre ao lado de sua mãe e de seu irmão José Rafael, que também era um prisioneiro político na Venezuela”, afirmou a ONG em uma publicação no X, onde compartilhou uma fotografia do ativista com sua família em uma igreja.

Entretanto, a Fundaredes expressou sua gratidão, por meio de um comunicado publicado no Instagram, pela solidariedade, apoio e constante respaldo de organizações nacionais e internacionais, defensores dos direitos humanos, jornalistas e cidadãos que “mantiveram viva a reivindicação por liberdade e justiça”.

“Por mais de quatro anos, seu caso se tornou um símbolo da criminalização dos defensores dos direitos humanos na Venezuela, marcada pela falta de garantias judiciais, desrespeito ao devido processo legal e condições que violaram seus direitos fundamentais”, observou ele.

O vice-presidente da ONG, Gonzalo Himiob, declarou no X que, juntamente com Tarazona, outros presos políticos foram libertados de El Helicoide, sede do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), que será transformada em um centro esportivo e cultural, segundo anúncio feito na sexta-feira pela presidente interina, Delcy Rodríguez.

Javier Tarazona foi preso em 2 de julho de 2021, após comparecer à Procuradoria de Coro, capital do estado de Falcón (noroeste), para denunciar que estava sendo assediado e perseguido por policiais, agentes da Sebin e indivíduos não identificados, segundo a organização.

O ativista foi a principal voz a denunciar um conflito entre as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) e dissidentes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) que se desenvolveu numa área fronteiriça entre os dois países naquele ano, dada a falta de dados oficiais.

Em outubro de 2022, Fundaredes informou à EFE que o julgamento contra Tarazona recomeçaria do zero, após dois meses de audiências, já que o processo foi interrompido por uma licença médica do juiz responsável pelo caso.

Clara Ramírez, coordenadora de documentação da FundaRedes, explicou que o julgamento teve início formal em 16 de agosto de 2022 e que, desde então, “foram realizadas seis prorrogações da audiência, sem interrupções e dentro dos prazos legais”.

Ramírez indicou que “o juiz estava doente” e informou às partes “que a audiência não ocorreria”, o que invalidou o processo que havia começado há quase nove semanas.

O ativista explicou que as audiências do julgamento não podem ter um intervalo superior a 10 dias úteis.