Essas embarcações não são militares, mas até mesmo o regime chinês poderia estar usando-as como forma de pressão. O Hemisfério Ocidental não é estranho a essa situação, já que grandes frotas pesqueiras cercaram países como Equador, Peru e Chile.

Cerca de 2.000 embarcações pesqueiras chinesas encontram-se atualmente ao largo da costa do Japão. Esta operação, que decorre no Mar da China Oriental, entre os dois países, poderá revelar uma nova tática do regime comunista de Xi Jinping para pressionar os seus adversários sem recorrer à força militar, enviando assim uma mensagem geoestratégica à região.

Imagens de satélite, divulgadas pelo portal de notícias Nikkei Asia, mostram a mobilização de milhares de embarcações pesqueiras chinesas que, em vez de pescar, parecem estar agindo com um propósito estratégico. Isso está relacionado à recente detenção de uma dessas embarcações na costa de Nagasaki, dentro da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do Japão, em meados de fevereiro. Alguns especialistas interpretaram isso como uma resposta dos comunistas chineses às declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi, que mencionou estar preparada para intervir militarmente caso Xi Jinping decidisse anexar Taiwan.

Embora essa nova tática chinesa pareça distante do Hemisfério Ocidental, é necessário analisar precedentes para entender por que ela pode afetar países em todo o mundo. A frota pesqueira do gigante asiático navega pelos mares praticando a extração indiscriminada de espécies, como demonstrado em diversos relatórios independentes. Somente em 2020, cerca de 200 embarcações piratas com bandeira chinesa cruzaram o Estreito de Magalhães, vindas do Oceano Pacífico, navegando ao largo das costas do Equador, Peru e Chile. Estima-se que, até 2024, mais de 230 embarcações tenham entrado em águas peruanas, violando sua soberania.

Nova milícia marítima de Xi Jinping?

Ao utilizar barcos de pesca em vez de navios de guerra, a China busca manter uma posição ambígua entre atividades civis e militares, dificultando uma resposta direta do Japão ou de seus aliados. Em outras palavras, Xi Jinping está transformando sua frota em uma ferramenta para demonstrar poder. Além disso, ele poderia bloquear zonas marítimas sem mobilizar navios de guerra.

Voltando ao Ocidente, em 2023, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, no Brasil, supostamente não conseguiu conter a exploração predatória de espécies marinhas por embarcações chinesas na costa brasileira, especificamente ao redor da Ilha de Marajó, no estado do Pará. Nesse caso, as embarcações entraram em águas brasileiras. Ou seja, não permaneceram na zona cinzenta que normalmente utilizam — além da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) de 200 milhas náuticas — porque, segundo relatos independentes, obtiveram a aprovação do Palácio do Planalto (a sede da presidência brasileira).

Embora não tenha havido nenhuma declaração oficial do regime comunista chinês a respeito dos navios ancorados na costa do Japão, essas situações levantam preocupações sobre o potencial de pressão geopolítica. Vale lembrar que o gigante asiático possui a maior frota pesqueira do mundo, estimada entre 500.000 e mais de 560.000 embarcações, segundo dados divulgados pelo The Maritime Executive.

Há alguns meses, foi revelado que a China intensificou sua presença marítima no Pacífico Sul, concentrando-se nas águas chilenas. Como relatado pela Infobae na época, desde meados de 2024, “portos do norte — principalmente Arica e Iquique — começaram a receber navios chineses com uma frequência sem precedentes”. Milko Schvartzman, pesquisador e especialista em conservação marinha, observou que Pequim só utiliza portos que não controla. “E, por razões que ainda não conseguimos explicar completamente, o Chile começou a fornecer apoio logístico no final de 2024.”

Por Oriana Rivas.