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As implicações da captura de Maduro no contexto das negociações com Cuba e Irã

Donald Trump deixou um precedente claro do que a Casa Branca está disposta a fazer enquanto ele estiver no comando. Como funciona a ameaça real para a psique de um fanático islâmico ou de um ditador caribenho?

Donald Trump está determinado a fazer história, deixando para trás algumas das maiores ameaças que os Estados Unidos enfrentaram em décadas. Embora alguns inimigos sejam mais significativos do que outros, nenhum dos países hostis aos EUA pode ser subestimado. O que antes era chamado de “eixo do mal” vem agindo de forma coordenada desde a Guerra Fria. Isso inclui o posicionamento de mísseis soviéticos em Cuba, apontados para a Flórida, e o recente uso do espaço aéreo venezuelano pelo Irã. Agora, Trump enfrenta diversos desafios simultâneos a serem superados antes de deixar o cargo. Embora provavelmente já tenha escolhido seu sucessor na próxima eleição, o presidente americano já demonstrou a determinação de sair em grande estilo.

A seu favor, o líder republicano tem o histórico recente que todos conhecemos. Ele não hesitou em destruir as instalações nucleares iranianas que estavam prestes a alcançar a energia nuclear, nem hesitou em mobilizar seu poderio militar na região para capturar o ditador Nicolás Maduro, que agora está detido em Nova York. Ora, a psicologia do regime islâmico pode ser diferente, por exemplo, da de um Miguel Díaz-Canel ou mesmo de um Raúl Castro idoso, que se tornou tão burguês a ponto de estar disposto a morrer pela causa e por sua revolução fracassada. Na Venezuela, já vemos um governo interino que perdeu toda a sua retórica rebelde.

“Uma enorme armada está a caminho do Irã. Ela se move rapidamente, com grande poder, entusiasmo e determinação. É uma frota maior — liderada pelo grande porta-aviões Abraham Lincoln — do que a enviada à Venezuela”, escreveu Trump nas redes sociais, referindo-se diretamente à sua mais recente operação no Caribe. Embora o presidente americano tenha instado a teocracia islâmica a negociar, Teerã (pelo menos por enquanto) permanece publicamente inflexível, o que parece equivaler a um suicídio. Resta saber o que Ali Khamenei, agora com 86 anos, tem em mente.

O povo iraniano, que está sendo massacrado aos milhares nas ruas, deixou claro que tudo o que deseja é a mudança de regime. Do seu longo exílio, Reza Pahlavi mostrou-se disposto a assumir as rédeas de uma transição, enquanto os manifestantes já adotaram a bandeira do leão como símbolo revolucionário.

Em relação a ela, Trump se mostra cauteloso e parece manter uma estratégia semelhante à que adotou com María Corina Machado. É claro que a situação iraniana é mais complexa. Donald Trump e Marco Rubio encontraram na família Rodríguez a cooperação que buscavam, já que as autoridades “no comando” parecem estar mais interessadas em salvar a própria pele do que qualquer outra coisa. O presidente americano já afirmou que não quer que se repita na Venezuela o que aconteceu no Iraque, quando toda a liderança do governo foi deposta. Algo semelhante ao que ocorreu na Venezuela poderia acontecer no Irã? É improvável.

Entretanto, diversas fontes afirmam que a situação em Cuba é bastante clara, com um regime em retirada, que já não conta com o apoio soviético ou chavista, mas também carece da retórica eloquente de um Fidel Castro, cujo poder simbólico eles foram incapazes de substituir. Tudo parece indicar que as ações militares no Irã e na Venezuela atingiram o irmão sem carisma e o herdeiro de uma estrutura de poder agora desprovida de recursos. A Rússia surge como o exílio negociado tripartitemente, o novo lar de Bashar al-Assad, que optou por não seguir o mesmo destino de Saddam Hussein ou Gaddafi.

Enquanto isso, o avanço militar dos EUA no Irã continua em meio a um paradoxo: Trump pede negociações, enquanto a recusa de Khamenei em dialogar beneficia tanto os EUA quanto o mundo, impedindo uma solução concreta e definitiva. A história geopolítica dos próximos anos está sendo escrita em tempo real, e não demorará muito para que a situação se torne clara. Por ora, todos estão cientes da determinação de Trump. É claro que seus interlocutores são diversos e operam dentro de estruturas ideológicas, conceituais, religiosas e psicológicas muito diferentes.

Artigo de Marcelo Duclos.

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