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Alerta para possíveis tiroteios em escolas no Chile: 700 ameaças já foram registradas

As autoridades chilenas prenderam três pessoas por ameaças de tiroteios em escolas, enquanto o clima nas instituições se agrava.

O Ministério Público do Chile continua recebendo denúncias de ameaças de tiroteios em escolas. Segundo o jornal El Mercurio, o órgão já recebeu mais de 700 denúncias relacionadas ao tema. Essa situação levou à ativação de protocolos de segurança preventivos na Região Metropolitana, nos municípios de Valparaíso, Coquimbo, O’Higgins, Biobío, Los Ríos e Los Lagos. Entre as medidas implementadas está a suspensão das aulas presenciais.

Somente na região de Biobío, desde 1º de março, foram registrados 258 casos de violência escolar que configuram crimes, após a apreensão de armas e drogas. Já em Valparaíso, foram contabilizados 136 casos, segundo informações divulgadas pela imprensa. 

A procuradora regional Claudia Perivancich está analisando os casos com cautela e confirmou a prisão de três pessoas por ameaças. No entanto, ela afirma que “nos casos em que não é possível encontrar evidências que sugiram uma ameaça real e concreta de dano ou prejuízo dentro de um estabelecimento de ensino, não há provas suficientes para apresentar acusações em juízo”.

Essa situação também levou à disseminação de boatos e falsos alarmes de tiroteios, colocando os administradores escolares em alerta máximo. Em resposta, Julio Anativia, delegado presidencial da região de Biobío, enfatiza que “todas as ameaças, mesmo as feitas em tom de brincadeira, serão investigadas. Qualquer pessoa que levar armas para instituições de ensino, fizer ameaças ou cometer qualquer ato relacionado a crimes será responsabilizada criminalmente por suas ações.”

O crescente número de relatos de ameaças e ataques evidencia um clima de conflito cada vez mais intenso nas escolas chilenas, em um contexto no qual os problemas de convivência continuam a aumentar de forma constante. Segundo dados do Observatório de Cidadania, Convivência e Bem-Estar Educacional (OCCBE) da Universidade de La Frontera, o país encerrou 2025 com um total de 14.931 denúncias registradas na Superintendência de Educação.

Destes, 74,3% correspondem à área da Convivência Escolar, totalizando 11.091 casos. A tendência é clara: o aumento é evidente, considerando que representam 25% a mais em comparação com as 8.847 denúncias acumuladas no final de 2024 e 50% a mais em comparação com as 5.442 registradas em 2014.

O que desencadeia esses incidentes? O abuso de alunos da pré-escola e do ensino médio é a principal causa, com 6.103 denúncias, representando 55%. Em seguida, vem a discriminação, com 1.842 denúncias, medidas disciplinares, com 1.146 denúncias, e situações de natureza sexual, com 923 denúncias. Essa realidade se concentra, em sua maior parte, em instituições da Região Metropolitana, onde ocorrem 37% dos casos, seguida por Valparaíso, com 12%, e Biobío, com 9%.

De fato, as ameaças mais recentes de tiroteios tiveram como alvo escolas na Região Metropolitana, como a Escola Dunalastair, a Escola Alemã de Chicureo, a Escola Bradford e a Escola Mayflower. Grafites aludindo a ataques armados foram encontrados em cada uma dessas escolas.

Uma urgência oculta 

Por trás dos números, esconde-se um problema urgente: o cyberbullying nas escolas chilenas. Só no ano passado, a intimidação digital resultou em 598 denúncias, representando 5,4% de todos os casos de maus-tratos relatados entre estudantes.

Segundo o OCCBE, esses casos fazem parte de um problema emergente na convivência escolar que busca assediar, disseminar mensagens ofensivas ou violar a privacidade dos alunos. Em resposta, a agência alerta que “isso é especialmente grave devido ao seu alcance massivo, sua persistência ao longo do tempo e a dificuldade de controlá-lo, pois o conteúdo pode circular de forma rápida e anônima”.

A esse respeito, o relatório destaca que as principais formas observadas — violência verbal, visual, em grupo e usurpação de identidade — ocorrem por meio de telefones celulares, redes sociais e internet.

Conter essa onda é um desafio em um cenário desfavorável, afirma Marcelo Trivelli, ex-prefeito de Santiago, enfatizando que “o clima” é o fator que melhor explica o aprendizado e a segurança, deixando de lado infraestrutura, recursos e até mesmo sanções. Em sua coluna publicada no El Desconcierto, ele destaca que “quando um estudante decide agredir, ameaçar ou até matar, ele não o faz isoladamente. Ele o faz em um contexto onde ninguém conseguiu antecipar, conter ou compreender”, porque “há uma falta de relações significativas, uma falta de conexão”.

Cultivá-las é complexo. “O que funciona é mais difícil, menos visível e politicamente menos vantajoso: construir comunidades educacionais onde as pessoas sejam vistas, ouvidas e valorizadas. Onde exista alfabetização emocional. Onde o conflito não seja reprimido, mas administrado.”

Por Gabriela Moreno.

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