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A Venezuela admitirá que o chavismo deixou a maior dívida da história

Por Equipe do PanAm Post

O Financial Times revelou nesta quarta-feira que as autoridades no poder em Caracas admitirão, para fins de reestruturação soberana, uma dívida acumulada de 240.000 milhões de dólares, superior ao recorde que a Grécia detinha com seu calote de 2012. Paralelamente, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, destacou que o país sul-americano retornará ao sistema do dólar, que “será o eixo central de seu comércio”.

O chavismo legou à Venezuela a maior dívida da história da humanidade, superando até mesmo o calote de US$ 200 bilhões da Grécia em 2012. No caso da Venezuela, a dívida acumulada chega a US$ 240 bilhões, um valor próximo de ser reconhecido pelas autoridades competentes, muito superior às estimativas anteriores, em um momento em que o país está realizando a maior reestruturação da dívida soberana da história, conforme noticiado na quarta-feira pelo Financial Times ( FT).

O nível de endividamento foi estimado pelos mercados entre 150 e 200 bilhões de dólares, acrescenta o jornal, que considera incomum que a análise de uma reestruturação soberana tão grande não tenha sido preparada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

“A economia hoje vale aproximadamente 100 bilhões; em 2012, último ano de Hugo Chávez no poder, ultrapassou 370 bilhões. Perdemos quase 70% da riqueza nacional. O maior colapso econômico em tempos de paz”, observa o economista venezuelano Fabio Valentini em sua conta X, que estima que a dívida acumulada da Venezuela hoje seja equivalente a mais de 200% do seu PIB. “Em outras palavras, devemos mais que o dobro do que o país produz em um ano.”

Segundo pessoas familiarizadas com os planos da Venezuela, o país pretende apresentar sua situação financeira aos credores dentro de algumas semanas, após a prisão do ditador Nicolás Maduro em uma operação militar dos EUA em 3 de janeiro, em Caracas.

O Financial Times acrescenta que Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, busca chegar a um acordo com os credores antes do final deste ano, com o objetivo de permitir o retorno do país aos mercados internacionais, após quase uma década de exclusão.

O domínio do dólar na Venezuela

Além disso, a Venezuela está retornando ao sistema do dólar, como parte da reestruturação dessa enorme dívida, disse o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, em entrevista na quarta-feira.

“O domínio do dólar é essencial, e tudo o que o presidente Trump está fazendo aqui — se você observar a nova Venezuela, eles estão faturando em dólares, estão retornando ao sistema do dólar, o dólar será o eixo central do seu comércio… — estamos vendo nas negociações com o Irã que os iranianos faturarão em dólares. Tudo o que estamos fazendo é para pressionar o dólar de volta”, afirmou ele.

Plano de reestruturação da dívida da Venezuela

Por sua vez, o banco de investimentos norte-americano Centerview Partners, contratado por Caracas como consultor financeiro, ajudou a elaborar um plano para restabelecer a sustentabilidade da dívida da Venezuela.

Alguns membros da oposição venezuelana temem que uma reestruturação acelerada, realizada sem o envolvimento do FMI, deixe a Venezuela em uma posição de negociação frágil com os detentores de títulos. “Esta é uma das primeiras grandes reestruturações em que o FMI não é o autor da análise de sustentabilidade da dívida”, observou um investidor que recentemente vendeu suas participações em títulos venezuelanos.

Com informações do Financial Times, EFE e Fabio Valentini.

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