PHVOX – Análises geopolíticas e Formação
Destaque

A sede de poder da esquerda: o fator que permitirá à Bolívia sair do socialismo

O confronto entre Luis Arce e Evo Morales foi o ponto de virada que provavelmente forçará o MAS a deixar o poder muito em breve.

Dizem que a relação entre Nicolás Maduro e Diosdado Cabello não é boa. No entanto, a dupla conseguiu coordenar seus esforços para que cada um desempenhasse seu papel em prol do objetivo comum: não perder o poder na Venezuela e manter a ditadura, que poderia começar a fraquejar a qualquer momento devido aos incentivos econômicos recentemente implementados pelos Estados Unidos. Seja qual for o desfecho da história, a dupla chavista fez o que lhes convinha, caso os rumores sobre o relacionamento ruim se confirmassem.

Na Bolívia, Evo Morales e Luis Arce não conseguiram coordenar a divisão do bolo e levaram à implosão do MAS, algo que acabou sendo um benefício absoluto para os bolivianos. Vale lembrar que Morales foi presidente por três mandatos consecutivos, de 2010 a 2019. Após a crise e a presidência interina de Jeanine Áñez, o ex-presidente encontrou um sucessor para retomar o poder. A operação funcionou apenas parcialmente: Arce venceu as eleições, mas a dupla não conseguiu dividir o poder. Claramente, ambos queriam tudo para si. Morales queria permanecer no poder, e Arce considerou que poderia se tornar independente do ex-presidente.

Ambos calcularam mal. Morales não tinha força para continuar no poder, mas Arce, que se recusou a participar das próximas eleições — nas quais Morales também não estará na cédula —, não tinha o combustível para construir seu próprio projeto político, independente do homem que o havia levado ao poder.

O escritor e intelectual de esquerda argentino Pablo Stefanoni, especialista em política boliviana, considerou uma possibilidade real que nenhuma das forças de esquerda chegasse ao segundo turno das eleições. 

Para o autor de “A Rebelião Virou à Direita?”, o Movimento ao Socialismo entrou “numa fase de decomposição”. Lamentando a situação, o escritor afirmou que não há renovação e que a política boliviana pode retornar “aos anos 1990”.

“O MAS está hoje dividido entre arcistas – seguidores do presidente Luis Arce Catacora –, que ficou com a sigla do MAS por meio da manipulação da justiça; evistas – adeptos de Evo Morales, inabilitado eleitoralmente e recluso na zona cocalera do Chapare para não ser detido –; e os androniquistas – que apoiam a candidatura do presidente do Senado, Andrónico Rodríguez –”, afirmou.

Perto do fim de sua análise, Stefanoni alerta que a crise do MAS é “terminal”.

Se a esquerda cair no esquecimento e as forças de direita chegarem ao segundo turno, o país poderá ter uma chance graças à ganância dos dois socialistas. Às vezes, o desespero dos populistas por poder contribui para a destruição de um país. Outras vezes, eles podem, de fato, contribuir para sua reconstrução.

Pode lhe interessar

Machado solicita passagem segura para requerentes de asilo na embaixada argentina em Caracas

PanAm Post
9 de setembro de 2024

Bolívia, uma ameaça criminosa para a América

PanAm Post
21 de julho de 2025

“Os muçulmanos em todo o mundo devem fazer com que seus inimigos se arrependam de suas palavras e ações.”

PanAm Post
30 de junho de 2025
Sair da versão mobile