“Manifestamos nossa determinação em promover uma negociação política séria, firme e responsável com o regime interino para restaurar a democracia na Venezuela com o apoio do governo dos EUA”, afirmou o comunicado divulgado pela coalizão de oposição.
A oposição venezuelana e seus líderes, María Corina Machado e Edmundo González Urrutia, propuseram na quinta-feira uma negociação política “séria, firme e responsável” com o “regime interino” da presidente em exercício Delcy Rodríguez, com o apoio dos Estados Unidos, para “restaurar a democracia na Venezuela”.
Segundo um comunicado divulgado nas redes sociais pela coalizão da oposição, a negociação seria liderada por Machado, laureado com o Prêmio Nobel da Paz de 2025, e o seu principal objetivo é a realização de “eleições presidenciais livres, transparentes e soberanas”, com “a devida observação internacional”.
Para tanto, os líderes da oposição enfatizam na declaração que um novo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) – atualmente controlado pelo chavismo – é necessário, com “personalidades independentes e respeitáveis”, além de um cronograma “viável e verificável” para essas eleições, já que as autoridades que permitiram a fraude de 28 de julho de 2024 ainda estão no poder.
Consideram ainda “necessário fazer gestos que contribuam para a criação de um ambiente político favorável e que demonstrem vontade de avançar neste processo”, incluindo a libertação total dos presos políticos, tanto civis como militares, e a garantia de um regresso seguro aos exilados.
Além disso, o texto prossegue, a “normalização do espaço cívico e político, incluindo o desmantelamento do aparelho repressivo e dos grupos armados, ilegais ou terroristas”.
Um acordo nacional
Por outro lado, a oposição venezuelana defendeu a construção de um “grande acordo nacional para a recuperação da república” com a participação de “cidadãos, partidos e movimentos democráticos, corporações de ofício, sindicatos, igrejas, universidades, setores produtivos, organizações sociais, jovens, mulheres e venezuelanos dentro e fora do país”.
O acordo “fornecerá a base política e social para a governança democrática, o crescimento econômico sustentado, a prosperidade compartilhada e a reconciliação nacional”.
MANIFIESTO DE PANAMÁ 🇻🇪🇵🇦
— Comando ConVzla (@ConVzlaComando) May 28, 2026
Las fuerzas democráticas reunidas en Panamá asumimos un compromiso común ante la nación: actuar con unidad, cohesión histórica y sentido de urgencia para avanzar en la transición, restaurar la democracia y concretar la libertad en Venezuela. pic.twitter.com/jBdCmJvw4E
A aliança comprometeu-se a promover os processos necessários para atingir o objetivo, a manter uma “mensagem única, coerente e coordenada para o mundo, em estreita sintonia com os aliados democráticos” e a estabelecer mecanismos permanentes de consulta cidadã e coordenação interna que “garantam o caminho para a liberdade”.
Segundo a coalizão da oposição, o país “está para viver um momento decisivo na sua história republicana”, numa altura em que as Américas têm a oportunidade de “construir um bloco de nações livres, prósperas e soberanas”. Por isso, manifestaram o seu apoio ao plano trifásico (estabilização, recuperação e transição) apresentado pelos Estados Unidos para a Venezuela após a captura do ditador Nicolás Maduro nas primeiras horas de 3 de janeiro em Caracas, durante uma operação militar estadunidense.
“A transição democrática exige unidade e uma visão para o Estado. Essa unidade da nação não é um slogan: é um compromisso, uma forma de agir, uma responsabilidade e a ferramenta mais poderosa a serviço da liberdade.”
Os princípios para a recuperação da Venezuela
A Plataforma Democrática Unitária afirma ainda que “a emergência humanitária sofrida pelos venezuelanos não permite atrasos, pois somente em liberdade suas necessidades mais urgentes poderão ser atendidas”.
“Por essa razão, a recuperação da Venezuela é e será um esforço coletivo, baseado na confiança inabalável que nos une no povo venezuelano”, acrescentou na declaração, intitulada Manifesto do Panamá, em referência ao país onde vários líderes da oposição venezuelana se encontraram com María Corina Machado no fim de semana.
Em uma coletiva de imprensa no sábado, María Corina Machado anunciou que será candidata à presidência em eleições “limpas e livres” e afirmou que “não há dúvidas” quanto à saída de Delcy Rodríguez, que assumiu como presidente interina após a prisão de Maduro.
