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A moral elástica de Gustavo Petro

Petro é um anarquista que não tem o menor impedimento de medir as coisas com o padrão que melhor lhe convém.

Muitos colombianos continuam a perguntar-se se o Sr. Petro tem realmente autoridade moral para condenar a resposta de Israel ao terrível ato terrorista de que foi vítima em 7 de Outubro do ano anterior, perpetrado pelos assassinos do Hamas. Sim, certamente o contra-ataque foi devastador na Faixa de Gaza e o povo palestino sofreu o indescritível, mas o ataque do Hamas foi dantesco, tal como muitos atos do M-19 quando Petro era membro daquela organização. Ele não tem, portanto, o direito de criticar a resposta do Estado de Israel e muito menos de esconder ou disfarçar a monstruosidade e a selvageria dos brutais terroristas do Médio Oriente.

Mas o Sr. Petro é normalmente caracterizado pelos seus padrões duplos, pela sua postura como um anarquista e revolucionário que não tem o menor impedimento de medir as coisas com o padrão que melhor lhe convém. Ele fez isso em inúmeras ocasiões. É, por exemplo, o mesmo que faz hoje em relação à investigação de que é objeto do Conselho Nacional Eleitoral (CNE). O Sr. Petro sempre pediu à CNE que investigasse condutas que considerou anómalas por parte de outros presidentes e outras campanhas, garantindo que era a entidade competente e que tinha toda a autoridade para o fazer. Além disso, disse que não só tinha autoridade, mas, de fato, a obrigação de sancionar acontecimentos que considerasse contrários à lei em matéria eleitoral.

O Sr. Petro também costumava ser muito exigente quanto ao integral cumprimento que deveria ser concedido aos juízes da República e às suas sentenças, especialmente por parte dos funcionários dos demais poderes públicos; sublinhando a total submissão e homenagem que o próprio Chefe do Estado, o Presidente da Nação, lhes deveu prestar, apesar de ter sido nomeado por voto popular, no entendimento de que ser obediente à justiça e reconhecer a independência dos seus representantes era o maior ato de respeito pela democracia. Mas foi outro Petro.

O senhor Petro, hoje, não quer reconhecer os juízes, nem mesmo os magistrados superiores, e já teve encontros com o Conselho de Estado, o Supremo Tribunal de Justiça e o Tribunal Constitucional. Qual a falta de respeito que ele tem por aqueles que criticaram publicamente o fato do presidente do STF ser conservador apesar de ser de raça negra e origem humilde, portanto – segundo Petro – deveria ser um ‘progresso’ junto ao governo? alma de insurgente que consome barbitúricos, trabalha pouco e dorme com travestis.

A questão é que o Sr. Petro, com os seus padrões duplos, está intimamente convencido de que existe uma lei para ele e o seu povo, e outra para os outros. A sua, claro, é favorável aos seus delírios, tanto que acredita que a sua investidura presidencial, a sua jurisdição presidencial, está ungida com imunidade absoluta, o que significa que não pode ser investigado ou condenado por qualquer crime. Sonho de qualquer bandido, até Pablo Escobar comprou uma cadeira na Câmara para ter imunidade parlamentar.

Petro acredita e proclama do alto que a lei é para os outros e que ele é digno de toda imunidade (ou melhor, impunidade). E chega a chantagear o país com supostas revoltas populares caso apliquem uma sanção. Mas isso não existe, esse indivíduo está sujeito a direitos e deveres como qualquer outro e deve respeitar o Estado de Direito ou assumir a punição com todas as suas consequências.

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