Por EFE
Em 26 de fevereiro de 2024, a Anistia Internacional compareceu perante a Justiça argentina para apoiar os autores da ação em seu pedido de investigação das graves violações dos direitos humanos na Venezuela.
Buenos Aires, 1 de junho (EFE) – O pedido de extradição feito por um juiz argentino às autoridades espanholas do ex-coronel venezuelano Ephraín Enrique Verdú Torrelles, ex-membro da Guarda Nacional Bolivariana (GNB), abre um novo capítulo na busca por justiça para as vítimas de crimes contra a humanidade no país caribenho.
Estes são cinco pontos-chave do processo judicial na Argentina:
1. Justiça Universal
O processo por crimes contra a humanidade na Venezuela está sendo conduzido pelo Tribunal Federal nº 2 da cidade de Buenos Aires, sob a presidência do juiz Sebastián Ramos, com a intervenção do procurador federal Carlos Stornelli.
A investigação foi aberta nos tribunais argentinos com base na jurisdição universal, princípio que permite aos países processar crimes graves contra os direitos humanos, independentemente de onde tenham sido cometidos e da nacionalidade do autor ou da vítima.
2. Acusações contra Maduro
Em 18 de janeiro de 2023, o Fórum Argentino para a Defesa da Democracia (FADD) — composto por políticos, diplomatas, jornalistas, acadêmicos e defensores dos direitos humanos argentinos — apresentou uma denúncia criminal no Tribunal Federal da Argentina contra o governo de Nicolás Maduro por crimes contra a humanidade na Venezuela.
Em 14 de fevereiro de 2024, a FAAD ampliou sua denúncia para incluir, entre outros, o caso da defensora de direitos humanos Rocío San Miguel, que foi detida arbitrariamente por agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) em 9 de fevereiro de 2024, no Aeroporto Internacional de Maiquetía, quando embarcava em uma viagem com sua filha. San Miguel foi submetida a desaparecimento forçado e levada para o centro de detenção de El Helicoide.
Em setembro de 2024, o juiz Ramos ordenou a prisão internacional de Nicolás Maduro; seu Ministro do Interior e da Justiça, Diosdado Cabello; o ex-comandante do GNB, Justo José Noguera Pietri, e outros treze funcionários.
Em 4 de fevereiro de 2026, apenas um mês após a captura de Maduro pelos Estados Unidos, o juiz Sebastián Ramos solicitou ao governo americano a extradição do ex-presidente venezuelano para a Argentina.
3. Denúncias contra a Guarda Nacional Bolivariana
Em 14 de junho de 2023, a Fundação Clooney para a Justiça (CFJ) apresentou mais uma denúncia ao Tribunal Federal da Argentina, solicitando uma investigação sobre violações de direitos humanos cometidas pelas forças de segurança na Venezuela.
Esta denúncia centra-se no caso de duas vítimas de homicídio, cuja identidade não foi inicialmente revelada para proteger as suas famílias.
Nesta segunda-feira, foi revelado que um desses casos é o de Geraldin Moreno Orozco, um estudante e jogador de futsal de 23 anos, que foi morto a tiros por agentes do GNB em 19 de fevereiro de 2014, no estado de Carabobo, durante uma manifestação.
O outro caso é o de JAMF (cuja identidade não foi revelada para proteger sua família), que em 19 de fevereiro de 2014, gravou a repressão de um protesto com seu celular, foi espancado e morreu dias depois em decorrência dos ferimentos.
Entre os acusados desses atos estão 14 oficiais do GNB, incluindo o ex-comandante Noguera Pietri.
A representação legal dos autores das queixas nesses processos ficou a cargo, desde 2026, da organização não governamental InterJust.
4. Pedido de extradição para a Espanha
Um dos acusados do assassinato de Geraldin Moreno Orozco é Verdú Torrelles, que atuava como comandante do destacamento de Segurança Urbana do estado de Carabobo e era o responsável pela operação de repressão aos protestos na época do assassinato do jovem.
Em fevereiro de 2026, após receber informações da InterJust – uma ONG especializada em casos de justiça universal – indicando que Verdú Torrelles estava na Espanha, a Justiça argentina emitiu um pedido de extradição.
Posteriormente, o Ministério das Relações Exteriores da Argentina transmitiu formalmente o pedido às autoridades espanholas e, em março deste ano, o Conselho de Ministros espanhol aprovou a continuação do processo, de acordo com a InterJust.
O processo encontra-se agora no Tribunal de Instrução do Tribunal Central de Primeira Instância nº 2 da Audiencia Nacional espanhola.
5. Apoio da Anistia Internacional
Em 26 de fevereiro de 2024, a Anistia Internacional compareceu perante o sistema judiciário argentino para apoiar os demandantes em seu pedido de investigação sobre graves violações de direitos humanos na Venezuela.
Por meio de uma intervenção como ‘amicus curiae’ (amigo da corte), a Anistia Internacional argumentou que o sistema judiciário argentino é plenamente competente para investigar, processar e punir criminalmente os responsáveis por crimes contra a humanidade cometidos na Venezuela.
Nesta segunda-feira, a organização de direitos humanos apelou à colaboração entre a Argentina e a Espanha para garantir que este caso seja levado a bom termo e que as vítimas recebam justiça.
