Por Oriana Rivas
Segundo relatos, profissionais da saúde estão deixando o país como medida imposta pelos Estados Unidos. Longe de prejudicar os venezuelanos, a contratação desses profissionais há duas décadas apenas enriqueceu o regime de Castro e lesou a PDVSA.
A saída de profissionais médicos cubanos da Venezuela, que veio à tona em janeiro após a captura do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em uma operação militar, parece finalmente estar em andamento. No entanto, essa não é uma decisão tomada pelo regime de Castro, mas sim resultado da pressão do governo Trump para cortar mais uma fonte de renda para o governo da ilha.
A Bloomberg relata que “inúmeras pessoas nos bairros mais pobres de Caracas e outras áreas” estão tendo o acesso à saúde negado devido à situação. O artigo relata como pacientes que foram a um centro médico em Caracas no final de abril “foram obrigados a sair”. Se essa medida for confirmada, não se trata de algo que afete o atendimento médico aos venezuelanos, mas sim de uma nova manobra de Washington para enfraquecer o regime de Castro.
Devido à opacidade que envolve a relação entre Cuba e Venezuela há décadas, é impossível saber, por meio de dados oficiais, quanto o regime de Castro recebe por cada profissional de saúde. No entanto, estimativas independentes indicaram que, até 2013, aproximadamente US$ 130.000 eram recebidos anualmente por cada médico cubano desde que os dois regimes assinaram o acordo de cooperação em 2000. Embora não se saiba quantos estão atualmente deixando o território venezuelano, dados da ONG Archivo Cuba indicam que havia 14.000 profissionais de diversas áreas nessas brigadas cubanas de “cooperação” até 2019.


A verdade por trás das missões médicas cubanas
As missões médicas cubanas não estão presentes apenas na Venezuela. Além disso, operam em condições de trabalho forçado e “escravidão moderna”, conforme descrito pelas Nações Unidas (ONU). Um relatório do Departamento de Estado dos EUA indica que, até o final de 2023, “mais de 22.000 trabalhadores ligados ao governo cubano estavam em mais de 53 países, sendo que profissionais da área médica representavam 75% da força de trabalho exportada”. O mesmo relatório detalha que, segundo especialistas, Havana “arrecada entre US$ 6 bilhões e US$ 8 bilhões anualmente com a exportação de serviços, que inclui missões médicas”.
Analisar esses números refuta os argumentos sobre uma suposta “campanha dos EUA” que, em última análise, deixa pessoas de baixa renda sem assistência médica. Além disso, durante anos, os venezuelanos foram deixados à própria sorte em termos de acesso à saúde pública, e um dos exemplos mais representativos foi o declínio da missão Barrio Adentro, fundada em 2000 por Hugo Chávez para criar uma rede de saúde composta principalmente por profissionais cubanos. Em 2017, essa rede de atenção primária à saúde alcançou 13.496 unidades em todo o país, segundo dados do regime chavista. Mas, um ano depois, foi relatado extraoficialmente que 80% das clínicas estavam fechadas.
O chavismo gastou pelo menos US$ 29,7 bilhões entre 2005 e 2014 em diversas fases da Missão Barrio Adentro, segundo estimativas da ONG Transparência Venezuela. A grande maioria do dinheiro veio da PDVSA, representando “mais de três vezes o valor das reservas internacionais da Venezuela, de acordo com dados de junho de 2018”. Esse montante não se refletiu na qualidade da saúde venezuelana, mas há suspeitas generalizadas sobre a presença de militares e agentes de inteligência cubanos nas fileiras das missões médicas, como denunciado pela ONG Defensores dos Prisioneiros em 2022 a respeito de sua presença no México.
Assim está progredindo a estratégia de Trump contra o castrismo
A saída de médicos cubanos da Venezuela faz parte do acordo de cooperação firmado entre a presidente interina, Delcy Rodríguez, e o governo dos EUA após a prisão de Nicolás Maduro. Washington está se certificando de atingir justamente o setor que antes ajudava a abastecer os cofres pessoais de autoridades cubanas, enquanto os cidadãos ficam à mercê de um sistema público de saúde precário.
Isso se soma a outras medidas tomadas pelo governo republicano nos últimos meses: a acusação formal de Raúl Castro, o alerta aos países amigos de Cuba para que não enviem petróleo sob pena de sanções e o monitoramento de centros de espionagem chineses e russos no país caribenho. Passo a passo, a Casa Branca garante que está se aproximando do regime de Castro.