A legislação colombiana proíbe que funcionários públicos participem de atividades políticas ou intervenham em controvérsias eleitorais, exceto no exercício do direito de voto. O presidente da Colômbia goza de imunidade constitucional, pelo que não pode ser investigado nem julgado pela Justiça comum enquanto exercer o cargo.
Bogotá, 26 de maio (EFE) – A Comissão de Investigação e Acusação da Câmara dos Representantes da Colômbia abriu um inquérito criminal contra o presidente Gustavo Petro por suposta interferência política no período que antecede as eleições presidenciais, cujo primeiro turno será realizado no próximo domingo, segundo documento divulgado nesta terça-feira.
O comunicado, assinado pela presidente da Comissão, Gloria Elena Arizabaleta, indica que a decisão foi tomada após as “últimas declarações e publicações nas redes sociais” do presidente relacionadas às eleições.
A investigação foi aberta após críticas de diversos setores políticos e órgãos de fiscalização em relação a mensagens publicadas por Petro em apoio ao candidato do partido governista, Iván Cepeda, poucos dias antes das eleições.


A carta, endereçada ao Secretário da Comissão, Jairo Fabián Corzo Ordóñez, indica que a ação se baseia no Artigo 422 do Código Penal colombiano, que tipifica o crime de intervenção política, bem como nos poderes conferidos pela Lei 600 de 2000 e pela Lei Cinco de 1992.
A legislação colombiana proíbe que funcionários públicos participem de atividades políticas ou intervenham em disputas eleitorais, exceto para exercer o direito de voto.
O presidente da Colômbia goza de imunidade constitucional, portanto não pode ser investigado ou julgado pelo sistema judiciário comum enquanto estiver no cargo.
A Constituição estabelece que a Comissão de Investigação e Acusação da Câmara dos Representantes é o órgão responsável por receber e investigar denúncias contra o chefe de Estado por possíveis crimes ou infrações disciplinares.
O procurador-geral Gregorio Eljach solicitou na segunda-feira à Comissão de Acusações um relatório detalhado sobre as denúncias e queixas apresentadas contra o presidente por suposto envolvimento indevido na política.
Segundo a imprensa local, a Comissão recebeu cerca de uma dúzia de denúncias relacionadas a essa questão, enquanto a Procuradoria-Geral da República (Ministério Público) afirmou que busca exercer funções de monitoramento e supervisão institucional sobre o andamento dessas ações.
Caso encontre mérito, a Comissão deve apresentar uma acusação contra Petro perante o Senado, que atua como juiz político nesse tipo de processo, o qual geralmente não obtém êxito.