O presidente da Colômbia informou que a segurança na fronteira, especificamente na região do Catatumbo, será prioridade na reunião que manterá nesta sexta-feira com a representante da Presidência da Venezuela. Trata-se de um território dominado pelo ELN, que “ameaça o objetivo de Washington de acabar com o tráfico de drogas”, segundo uma reportagem publicada pelo Wall Street Journal.
A retórica anti-imperialista do presidente colombiano Gustavo Petro suavizou-se após a captura de Nicolás Maduro nas primeiras horas de 3 de janeiro em Caracas, por ordem do presidente dos EUA, Donald Trump, com quem se encontrou inclusive na Casa Branca para amenizar as tensões após um ano de frequentes impasses. A situação não foi diferente do outro lado da fronteira. A presidente venezuelana Delcy Rodríguez restabeleceu relações com Washington como parte do plano de transição em três fases supervisionado pelos Estados Unidos. Isso incluiu a recepção de altos funcionários americanos em Caracas, como o diretor da CIA, o secretário de Energia e o secretário do Interior. Agora, Gustavo Petro e Delcy Rodríguez se encontram nesta sexta-feira na fronteira, com a agenda focada na segurança da região de Catatumbo, justamente quando uma reportagem na imprensa americana analisa o obstáculo representado pelo Exército de Libertação Nacional (ELN) aos planos de Trump naquela área específica.
O referido grupo narcoguerrilheiro — originário da Colômbia, mas que também estabeleceu presença em território venezuelano — desempenha um papel crucial no controle das rotas de exportação de cocaína, operando de forma autônoma em territórios onde as instituições estatais de ambos os países têm presença limitada, alerta um artigo do Wall Street Journal publicado nesta quarta-feira. O artigo explica como o ELN “ameaça o objetivo de Washington de acabar com o narcotráfico através do país sul-americano”, referindo-se à Venezuela, alvo da Operação Lança do Sul, implementada pelo Pentágono desde julho do ano passado para combater o narcotráfico na região, cujo principal resultado foi a captura de Maduro.


Uma intervenção direta dos EUA na região não parece estar nos planos de Washington. Com o conflito em curso no Irã e o terreno acidentado, seria inconveniente e muito arriscado. O ex-ministro da Defesa colombiano, Gabriel Silva, disse ao WSJ que, se os EUA tentarem expulsar o ELN da região de Catatumbo pela força, “ela poderá se tornar um pequeno Vietnã”, porque “é uma área muito difícil” e, portanto, “estabelecer o controle em ambos os lados da fronteira será muito complicado”.
A coordenação entre as autoridades colombianas e venezuelanas é vital para os interesses dos EUA na região. Embora Washington tenha declarado concluída a primeira fase da transição na Venezuela, correspondente à estabilização política, e a segunda fase, focada na recuperação econômica, o combate ao narcotráfico no continente permanece um objetivo que Trump não abandonou. Portanto, apesar das diferenças políticas e ideológicas, o encontro entre Gustavo Petro e Delcy Rodríguez provavelmente conta com a aprovação da Casa Branca.
O ponto central da agenda foi anunciado pelo próprio presidente colombiano. Em reunião de gabinete realizada nesta terça-feira, Gustavo Petro afirmou que a segurança da fronteira, especificamente na região de Catatumbo, será prioridade em seu encontro desta sexta-feira com Delcy Rodríguez. Por esse motivo, a área será militarizada e a delegação colombiana será chefiada por autoridades da Defesa. “Catatumbo é um tema a ser discutido com a presidente Delcy. Por isso, minha delegação será composta principalmente por militares e policiais, com o Ministro da Defesa organizando a comitiva”, declarou o chefe da Casa de Nariño (Palácio Presidencial), que acrescentou que o encontro também buscará fortalecer a coordenação com a Polícia e as Forças Armadas da Venezuela para avançar em um plano de segurança conjunto, visando também à troca de informações.