Uma coalizão tão ampla quanto a construída por Flávio Bolsonaro, com sólido apoio dos estados, governadores aliados e apoio do centro, torna-se eleitoralmente mais competitiva do que uma candidatura isolada no núcleo bolsonarista.
Desde que anunciou sua pré-candidatura presidencial pelo PL, Flávio Bolsonaro tem demonstrado uma capacidade de articulação política que o posiciona como um pré-candidato aberto ao diálogo e disposto a ampliar sua base para além do núcleo tradicional bolsonarista. As alianças construídas em abril de 2026 não apenas fortalecem sua estrutura eleitoral, como também projetam configurar uma coalizão mais ampla e pragmática do que a de seu pai em campanhas anteriores.
O PL, liderado por Flávio Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, garantiu apoio próprio em vários estados e também fez alianças importantes, incluindo um acordo na Bahia com ACM Neto e União Brasil. Incorporou figuras como Sergio Moro no PL do Paraná e Efraim Filho na Paraíba. Além disso, Flávio mantém o apoio explícito de Michelle Bolsonaro e os canais de diálogo abertos com governadores importantes como Tarcísio de Freitas (São Paulo), Romeu Zema (Minas Gerais), Ratinho Jr. A recém-criada federação de partidos União Brasil e PP ainda não se pronunciou sobre se apoiará a Presidência. Eles esperam fechar os acordos regionais para tomar uma decisão. Se essa federação e o Partido Republicano apoiarem Flávio Bolsonaro, consolidará uma forte coalizão de centro-direita contra Lula.
Um exemplo claro da estratégia de amplitude é o apoio selado pelo PL à candidatura de Ciro Gomes ao governo do Ceará, decidido em reunião com Flávio Bolsonaro e Valdemar, apesar da resistência inicial de Michelle. O objetivo é explícito: construir um apoio forte no Nordeste contra o PT, território chave para somar votos e enfraquecer o adversário em um possível segundo turno.


Essa coalizão é notavelmente mais ampla do que a de Jair Bolsonaro em 2018 e 2022, quando o apoio se concentrava principalmente em eleitores linha-dura de Bolsonaro e aliados ideológicos próximos. Flávio Bolsonaro, ao contrário, prioriza o pragmatismo: busca formar o centro, governadores regionais, atores de centro-esquerda dispostos a apoiá-lo e partidos de centro, sem renunciar à sua base. Essa amplitude permite dialogar com pessoas que antes estavam fora do núcleo familiar.
Outro aspecto diferenciador é a possível escolha de vice-presidente. Diferente de seu pai, que optou por dois militares, os generais Hamilton Mourão em 2018 e Walter Braga Netto em 2022, Flávio Bolsonaro parece inclinar-se por um civil de outro partido. Nomes como Tereza Cristina (PP) ou o próprio Romeu Zema (Novo) circulam com força nos bastidores, o que enviaria um sinal de moderação e mudança a eleitores indecisos ou de centro.
Esse movimento ocorre em um contexto favorável: a rejeição a Lula da Silva aumentou de forma sustentada, superando os 50 % em várias pesquisas recentes. Esse desgaste do atual presidente fortalece as chances da oposição em um segundo turno.
Uma coalizão tão ampla quanto a construída por Flávio Bolsonaro, com sólido apoio dos estados, governadores aliados e apoio do centro, torna-se eleitoralmente mais competitiva do que uma candidatura isolada no núcleo bolsonarista. No eventual segundo turno, essa abertura abre caminho para Lula. Isso não é mera tática eleitoral: é a prova de uma estratégia madura de ampliação de base. Para priorizar o diálogo e a convergência com outros setores da liderança e do centro, o senador construiu uma coalizão mais inclusiva e, certamente, do que a de seu pai. Flávio Bolsonaro não só herda o sobrenome: está redefinindo o bolsonarismo rumo a um projeto mais amplo e vencedor.
Por Roderick Navarro.