É necessário apoiar os esforços da sociedade venezuelana que se une pela libertação dos presos políticos e pela aprovação de uma anistia que ponha fim à violência chavista que emana do poder.

Após a aplicação do uso da força contra o chavismo no dia 3 de janeiro, a luta dos venezuelanos entrou em uma nova etapa. A captura de Nicolás Maduro fez o regime ceder. Agora, o chavismo cede diante dos Estados Unidos com o objetivo de permanecer no poder, sob a estratégia de ganhar tempo, modificar seu modelo de governo autoritário e “garantir” a estabilidade no país. Esse plano de três anos corresponde ao tempo restante do governo de Donald Trump. No entanto, o Secretário de Estado, Marco Rubio, definiu três fases que culminam em eleições livres para a escolha de novas autoridades na Venezuela.

Essa tensão entre o chavismo e os Estados Unidos oferece uma série de vantagens à luta dos venezuelanos. Entre elas, a libertação dos presos políticos e o desmonte do aparato de repressão e tortura. É justamente isso que está sendo debatido na Assembleia Nacional: legalizar o fim do poder repressivo do chavismo para reiniciar o sistema político venezuelano. Com essa lei, espera-se que setores da oposição possam voltar a participar da política venezuelana, seja saindo das prisões, da clandestinidade ou retornando do exílio. Caso isso não se concretize, o plano de Rubio corre o risco de ficar estagnado.

Os norte-americanos exercem neste momento uma pressão significativa sobre o chavismo, uma pressão que antes não existia. Essa pressão externa deve coincidir com a pressão interna. O resultado seria a saída do chavismo sem desestabilizar o país ou, em outras palavras, o fim do tutelamento/interinato chavista para que um novo governo possa acelerar o processo de mudanças que representa o desmonte do chavismo.

Por isso, as mobilizações cidadãs recentes têm sido fundamentais. Sem pressão interna, a pressão externa por si só apenas prolongaria a permanência do chavismo no poder. Se o objetivo do plano de Marco Rubio é o fim do chavismo, e esse também é o objetivo dos venezuelanos, então os protestos não contradizem a política dos Estados Unidos: eles a complementam. Acelerar a saída do chavismo também acelera o plano norte-americano para a Venezuela, o que resultará em uma rápida melhora da situação do país e no estabelecimento das bases de uma nova realidade social e política para os venezuelanos.

É necessário apoiar os esforços da sociedade venezuelana que se une pela libertação dos presos políticos e pela aprovação de uma anistia que ponha fim à violência chavista que emana do poder. Há mais chances de que exista entendimento entre os venezuelanos se não houver repressão. Transitar com êxito entre o ideal e o possível permitirá recuperar as instituições e ampliar, no futuro, as conquistas do presente. Por isso, a luta dos venezuelanos não é apenas legítima, mas plenamente compatível com o plano dos Estados Unidos para uma Venezuela livre, estável e democrática.

Por Roderick Navarro.