“Estão nos enganando”, disse Tamara Sujú, diretora da Casla, na apresentação do manifesto assinado por cerca de trinta associações e ONGs venezuelanas e espanholas em defesa dos presos políticos do chavismo. Ela também afirmou que as libertações estão sendo atrasadas devido ao estado “extremamente magro” dos presos.
O Centro de Estudos e Análises sobre a América Latina (Casla) denunciou nesta sexta-feira uma operação para “engordar reféns políticos” pelas autoridades no poder na Venezuela, devido à sua “extrema fragilidade”, e questionou a libertação de 400 presos nos últimos dias, conforme alegado pelo regime interino.
“Estão nos enganando”, disse Tamara Sujú, diretora da Casla, na apresentação do manifesto de cerca de trinta associações e ONGs venezuelanas e espanholas em defesa dos presos políticos do chavismo e a favor do julgamento e punição dos responsáveis.
Segundo a venezuelana Sujú, nenhuma ONG sabe exatamente quantos prisioneiros existem devido à “falta de transparência da tirania”, e entre os libertados podem estar prisioneiros comuns ou militares do regime, referindo-se aos 400 que ela afirmou terem sido libertados tanto pelo presidente da Assembleia Nacional Chavista, Jorge Rodríguez, quanto por sua irmã e presidente interina, Delcy Rodríguez.
Além disso, eles não saem totalmente livres, mas com medidas cautelares, como não abandonar o país, proibição de falar ou obrigação de se apresentar periodicamente às autoridades, esclareceu. “O que acontece com os presos tem que ser um escândalo mundial”, com 18 mil pessoas em processos judiciais abertos, afirmou. Isso coincide também com o que esclareceu em entrevista ao PanAm Post o ex-promotor venezuelano Zair Mundaray, que foi enfático ao apontar que não se pode falar em libertações, mas sim em excarceramentos.
Sem a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, afirmou, não estaríamos no caminho para a transição política: “Finalmente, a porta se abre para nós, o tabuleiro se move”. E questionou onde estão a União Europeia e a América Latina, além de assinar declarações institucionais.


O papel da Espanha, “manifestamente insuficiente”
Esteban Ibarra, presidente espanhol do Movimento Contra a Intolerância, falou sobre o sofrimento das vítimas do ódio na Venezuela (repressão, tortura, exílio…) e a xenofobia mais cruel nos países da diáspora.
“Há centenas de assassinatos e a transição venezuelana não pode ficar de braços cruzados”, disse ele, insistindo que os responsáveis devem ser levados à justiça.
Em relação ao papel do governo espanhol nesta situação, Ibarra opinou que é “manifestamente insuficiente”, embora tenha reconhecido que “paciência e perseverança são necessárias para mudar o regime após 26 anos”.
Ibarra considerou que o governo espanhol não está mobilizando a União Europeia para pressionar a favor da mudança nem denunciando ao Ministério Público os ataques xenófobos contra os venezuelanos. “A Espanha precisa mudar radicalmente de rumo se quisermos ter credibilidade na luta contra a intolerância”, sintetizou.
Ele também disse que, em 3 de janeiro, foi aberto “um processo de esperança” para as vítimas com a intervenção dos Estados Unidos, à margem dos debates sobre o direito internacional.
Tomás Páez, do Observatório da Diáspora Venezuelana, denunciou que a economia do país recuou 80% e, portanto, as condições sociolaborais se deterioraram de forma alarmante, o que ele definiu como um “desastre”.
Osman Delgado, pai da presa política hispano-venezuelana María Auxiliadora Delgado, relatou que ela e seu marido foram detidos em 2019 e levados para prisões onde sofrem muitas limitações de alimentação e higiene, submetidos a “castigo permanente e tortura emocional”. Eles não recebem toda a comida nem todos os medicamentos que seus familiares lhes enviam, explicou.
Vários participantes, assim como o manifesto citado, apoiam Edmundo González e María Corina Machado, não por razões ideológicas, sublinharam, mas porque venceram, respectivamente, as eleições presidenciais de 2024 e as eleições primárias do bloco antichavista. “Meu medo não é da direita nem da esquerda, mas da ditadura e da tirania”, concluiu Ibarra.
Com informações da EFE