O ditador Kim Jong-un recebeu seus principais comandantes militares em seu gabinete. Ele os chamou de “exército heroico”, mas seu retorno pode estar relacionado às negociações entre Putin e Trump sobre um possível fim da guerra contra a Ucrânia.
Nada está claro sobre o futuro da guerra da Rússia contra a Ucrânia, mas algumas coisas estão mudando em relação ao conflito após o encontro do presidente americano Donald Trump com o presidente russo Vladimir Putin no Alasca. Um desses acontecimentos é a retirada dos comandantes militares de alto escalão da Coreia do Norte que se juntaram ao exército russo.
O ditador Kim Jong-un os recebeu em Pyongyang. Mais de uma dúzia de altos comandantes norte-coreanos compareceram ao escritório pessoal do líder, de acordo com fotografias divulgadas por veículos de comunicação a serviço do comunismo Juche, enquanto Kim os chamou de “exército heroico”. Isso levanta suspeitas sobre o motivo de seu retorno.
Soldados norte-coreanos foram enviados para a região russa de Kursk (perto da fronteira com a Ucrânia) antes mesmo de Kim Jong-un e Putin assinarem o chamado “Acordo de Parceria Estratégica Abrangente “. No entanto, o retorno dos principais comandantes militares seria influenciado por dois cenários, de acordo com Michael Madden, especialista em Coreia do Norte do Stimson Center. O primeiro é que a Rússia está se livrando deles, acreditando que pode manter a região de Kursk sozinha; o segundo é remover a Coreia do Norte da equação em meio às negociações para encerrar a guerra na Ucrânia. “Os norte-coreanos não devem ser um pomo de discórdia na mesa de negociações”, disse ele ao Wall Street Journal.


O álibi de Putin nas negociações
Sendo um país tão reservado — onde a informação não entra nem sai a menos que a ditadura autorize — é impossível afirmar exatamente quantas tropas a Coreia do Norte mobilizou em solo russo, embora estimativas de agências de inteligência ucranianas e britânicas indiquem que sejam cerca de 15.000. Putin poderia argumentar na mesa de negociações com a Ucrânia que essas tropas simplesmente permaneceram na Rússia. Portanto, a cooperação militar seria enquadrada no âmbito do pacto de defesa mútua.
Seria um álibi para evitar atritos sobre a presença de Kim Jong-un nas negociações. No entanto, há uma terceira hipótese que poderia ser acrescentada, e ela tem a ver com os milhares de soldados que morreram no campo de batalha. O ditador poderia estar tentando impedir a continuação do massacre de seu exército, cujas baixas foram relatadas devido a questões como a barreira linguística e a falta de conhecimento sobre o arsenal russo, conforme revelado pela inteligência britânica no final de 2024.
A cena no escritório de Kim Jong-un não passará de uma fachada se essa versão for finalmente confirmada. De qualquer forma, o Juche Comunismo é especialista em evitar relatos sobre suas colaborações militares. Foi somente em abril deste ano que confirmou o envio de soldados para a Rússia, apesar de a informação já estar circulando há muito tempo.
Por enquanto, Kim Jong-un tem seus próprios planos contra os Estados Unidos: foi revelado que ele possui uma base secreta de mísseis a apenas 27 quilômetros da fronteira com a China. Segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), com sede em Washington, acredita-se que o local “abriga até nove mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs) com capacidade nuclear”.