O presidente russo, Vladimir Putin, está promovendo treinamento com drones para crianças e jovens russos em salas de aula, enquanto prossegue sua ofensiva militar na Ucrânia. A meta é treinar um milhão de especialistas até 2030, o que pode ser interpretado como mais um passo na direção oposta ao diálogo que Trump está promovendo para pôr fim à guerra.
Enquanto o presidente americano Donald Trump tenta pôr fim à guerra na Ucrânia por meios diplomáticos, seu homólogo russo, Vladimir Putin, promove uma estratégia de guerra que vai além da ética e do campo de batalha, treinando crianças e jovens no uso de sistemas aéreos não tripulados (UAS), também conhecidos como drones, em mais de 500 escolas e 30 centros de treinamento técnico em todo o país. Para atingir esse objetivo, mais de 2.500 professores foram treinados.
Os números, divulgados pelo Ministério da Defesa do Reino Unido, estão em linha com as declarações do Ministro da Educação e Ciência da Rússia, Valery Falkov, no ano passado, quando afirmou que a meta do Kremlin é “treinar um milhão de especialistas em drones até 2030”. Trata-se de um plano paralelo aos esforços diplomáticos liderados por Trump, que busca organizar um encontro entre Putin e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky na tentativa de interromper a guerra. No entanto, as ações de Moscou, dentro e fora das linhas de frente, parecem contraintuitivas, visto que não apenas dão continuidade à agressão militar, mas também se concentram em preparar as gerações futuras para operar tecnologias de guerra em salas de aula.
A ofensiva militar atingiu tal nível nas últimas horas que o governo Zelensky denunciou os ataques noturnos russos com 93 drones de vários tipos e dois mísseis balísticos. As defesas ucranianas conseguiram neutralizar um dos mísseis e 62 drones no norte e no leste do país, segundo dados preliminares. Além disso, houve um “ataque traiçoeiro” contra um posto de distribuição de gás na região sul de Odessa. Todas essas ações servem apenas para minar os esforços para pôr fim à guerra.


É assim que as crianças russas entram na indústria de drones
As crianças russas seriam incluídas nessa política de educação por drones “por meio de competições nacionais que começam com videogames aparentemente inocentes e terminam com os alunos mais talentosos sendo alvos de empresas de defesa”, de acordo com uma investigação relatada pelo The Guardian.
Um dos videogames se chama Berloga. Nele, vários ursos devem se defender de enxames de abelhas, às vezes usando drones para afastá-las, de acordo com a pesquisa. O sucesso no jogo “pode gerar créditos adicionais nas provas de conclusão do ensino médio”.
O próximo passo são competições mais avançadas, como a chamada “Grandes Desafios”, que busca “alunos promissores que estão sendo cobiçados por empresas russas, muitas das quais estão sob sanções internacionais por seu papel na indústria de defesa russa”. Mas há uma regra não escrita: os adolescentes finalistas do concurso, que trabalham com tecnologia de drones, explicam que seus projetos têm um “duplo propósito”, concentrando-se em aplicações civis que também podem ser usadas no campo de batalha.
Este é um “desenvolvimento notável dentro da crescente militarização da educação russa”, de acordo com a declaração do Ministério da Defesa, que não apenas destaca a importância dos drones na guerra contra a Ucrânia, mas também demonstra “a intenção quase certa da Rússia de aumentar significativamente sua proficiência no uso de UAS e o escopo e a escala de suas capacidades nessa área, a longo prazo”.