A operação, na qual participam cerca de 4.000 marinheiros e fuzileiros navais, inclui vários aviões espiões P-8, contratorpedeiros com mísseis guiados Aegis e pelo menos um submarino de ataque, de acordo com informações divulgadas nesta segunda-feira pela agência Reuters, que acrescenta a possibilidade de “ataques seletivos”, se assim decidir o governo de Donald Trump, para apoiar as iniciativas de segurança nas fronteiras e a luta contra o narcotráfico.
Três navios de guerra dos EUA, especificamente destróieres de mísseis guiados Aegis, chegarão à costa da Venezuela nas próximas 36 horas como parte de um esforço para combater ameaças de cartéis de drogas latino-americanos, disseram duas fontes à agência de notícias Reuters na segunda-feira .
Uma autoridade dos EUA, falando sob condição de anonimato, indicou que o comprometimento adicional de ativos militares na região mais ampla incluiria vários aviões espiões P-8, navios de guerra e pelo menos um submarino de ataque.
A autoridade indicou que o processo levaria vários meses e que o plano é que eles operem em espaço aéreo e águas internacionais. Os meios navais podem ser usados não apenas para conduzir operações de inteligência e vigilância, mas também como plataforma de lançamento para ataques direcionados, caso uma decisão seja tomada, acrescentou a autoridade.


Trump fez da repressão aos cartéis de drogas um objetivo central de seu governo, como parte de um esforço mais amplo para limitar a migração irregular e proteger a fronteira sul dos EUA. Nos últimos meses, o governo Trump já enviou pelo menos dois navios de guerra para apoiar iniciativas de segurança na fronteira e o combate ao tráfico de drogas.
O presidente Donald Trump tem buscado usar as Forças Armadas para perseguir quadrilhas de narcotraficantes latino-americanas consideradas organizações terroristas transnacionais. Outra autoridade americana disse à Reuters que um total de cerca de 4.000 marinheiros e fuzileiros navais devem ser destacados para as iniciativas do governo Trump na região sul do Caribe, especificamente na costa da Venezuela.
Em fevereiro, o governo Trump classificou o Cartel de Sinaloa, do México, e outras gangues de narcotráfico, bem como o grupo criminoso venezuelano Tren de Aragua, como organizações terroristas transnacionais, intensificando também as medidas de repressão à imigração contra supostos membros de gangues. Mas não parou por aí. Há pouco mais de duas semanas, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro incluiu o Cartel Venezuelano dos Sóis nessa lista, supostamente liderado pelo próprio ditador venezuelano Nicolás Maduro, segundo acusações dos EUA.
Nessa linha, em 7 de agosto, o Departamento de Justiça e o Departamento de Estado aumentaram a recompensa de US$ 25 milhões para US$ 50 milhões por “informações que levem à prisão de Nicolás Maduro”, uma quantia comparável apenas à oferecida pela captura do ex-líder da Al-Qaeda e autor dos ataques de 11 de setembro de 2001, Osama bin Laden.
E logo após o aumento da recompensa pela captura de Maduro, o New York Times revelou que “o presidente Trump assinou secretamente uma diretiva ao Pentágono para começar a usar força militar contra certos cartéis de drogas latino-americanos que seu governo considera organizações terroristas”. A Reuters não apenas confirmou isso hoje, como também forneceu detalhes e corroborou que os navios de guerra estavam se dirigindo para a costa venezuelana.