O governo Donald Trump “já enviou pelo menos dois navios de guerra para apoiar iniciativas de segurança de fronteira e combater o narcotráfico”, informou a Reuters na quinta-feira, especificando que essas operações são direcionadas “ao sul do Mar do Caribe”, onde estão localizadas apenas Colômbia e Venezuela, e pequenas ilhas como Aruba, Curaçao e Bonaire.

Os Estados Unidos ordenaram um destacamento militar, especificamente de suas forças aéreas e navais, “no sul do Mar do Caribe para enfrentar ameaças de cartéis de drogas latino-americanos”, incluindo o Cartel de Sinaloa do México e o Cartel dos Sóis da Venezuela, de acordo com informações publicadas na quinta-feira pela Reuters, citando fontes com acesso à decisão. No entanto, os detalhes geográficos apontam mais para a Venezuela do que para o México.

“Esta mobilização visa enfrentar ameaças à segurança nacional dos Estados Unidos vindas de organizações narcoterroristas especialmente designadas na região”, disseram fontes à agência de notícias mencionada, sob condição de anonimato, a respeito da “mobilização” que o Departamento de Defesa dos EUA teria iniciado com suas “forças aéreas e navais”, especificamente “no sul do Mar do Caribe”. Segundo a reportagem, nos últimos meses, o governo Donald Trump “já mobilizou pelo menos dois navios de guerra para apoiar iniciativas de segurança de fronteira e combater o narcotráfico”.

Embora a Reuters observe que o governo Trump classificou o Cartel de Sinaloa do México e outros grupos do crime organizado, como o Trem de Aragua da Venezuela, como “organizações terroristas transnacionais” em fevereiro, ao especificar em seu artigo desta quinta-feira que a mobilização militar dos EUA é direcionada para o “Mar do Caribe Meridional”, estaria descartando o Cartel de Sinaloa mencionado anteriormente, uma vez que o México não está localizado no Mar do Caribe Meridional; pelo contrário, geograficamente, o México está a noroeste do Caribe. E embora seja de conhecimento que o Cartel de Sinaloa opera não apenas no estado que lhe dá o nome, mas em uma região maior no norte do México, se quisermos ser mais precisos e ir ao cerne dessa organização criminosa, devemos levar em conta que o estado de Sinaloa não é acessado pelo Caribe, mas pelo Oceano Pacífico.

Aumenta a pressão dos EUA sobre Maduro

Em relação às “organizações narcoterroristas especialmente designadas na região” mencionadas pelas fontes citadas pela Reuters, vale lembrar que, há apenas duas semanas, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro incluiu o Cartel Venezuelano dos Sóis nessa lista, apenas para continuar direcionando suas ações de segurança para a Venezuela. Assim, na última quinta-feira, os Departamentos de Justiça e de Estado aumentaram a recompensa de US$ 25 milhões para US$ 50 milhões por “informações que levem à prisão de Nicolás Maduro”, uma quantia comparável apenas à oferecida pela captura de Osama bin Laden, ex-líder da Al-Qaeda e autor dos ataques de 11 de setembro de 2001.

Na mesma linha, a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, encarregada de anunciar o aumento da recompensa pela captura de Maduro, dedicou-se nesta quarta-feira, em entrevista à Fox News, a detalhar os bens apreendidos do regime de Nicolás Maduro, que, segundo ela, já ultrapassam 700 milhões de dólares, incluindo “dois jatos multimilionários, várias casas, uma mansão na República Dominicana, casas multimilionárias na Flórida, uma fazenda de cavalos, carros, nove automóveis, acredito, e milhões de dólares em joias e dinheiro em espécie”.

O que há no sul do Mar do Caribe?

No dia seguinte ao aumento da recompensa pela captura de Maduro, o New York Times revelou que “o presidente Trump assinou secretamente uma diretiva ao Pentágono para começar a usar força militar contra certos cartéis de drogas latino-americanos que seu governo considera organizações terroristas”, fato confirmado pela Reuters hoje, tornando o Cartel Venezuelano dos Sóis e, consequentemente, o regime de Maduro, um alvo militar dos EUA.

Não parece coincidência que as informações divulgadas nesta quinta-feira especifiquem que as operações são direcionadas “para o sul do Mar do Caribe”, onde se localizam apenas Colômbia e Venezuela, além de pequenas ilhas como Aruba, Curaçao e Bonaire, que não aparecem no radar do combate ao narcotráfico. No caso da Colômbia, embora seja conhecida por ser uma das maiores produtoras de narcóticos, atividade que financia narcoguerrilhas como as FARC e o ELN, não houve notícias dos EUA mirando este país nos últimos dias.

A luta contra os cartéis mexicanos

Vale lembrar também que as Forças Armadas dos EUA já intensificaram a vigilância em áreas onde operam cartéis de drogas mexicanos e que o presidente Donald Trump se ofereceu para enviar tropas através da fronteira para sua contraparte mexicana, Claudia Sheinbaum, para ajudar a combater o narcotráfico. No entanto, o sucessor e discípulo de Andrés Manuel López Obrador, que lançou o programa “Abraços, Não Balas” durante seu governo para conter a guerra às drogas, rejeitou a proposta.

Hoje, Trump priorizou o combate aos cartéis de drogas e o fechamento da imigração ilegal em seu governo. Não parece coincidência que a Casa Branca esteja acusando Nicolás Maduro de invadir os Estados Unidos com drogas e imigrantes ilegais. Ele é acusado de ser o líder do Cartel dos Sóis e, na época em que a recompensa por sua captura foi dobrada, também estava ligado ao Cartel de Sinaloa.