Para oferecer uma recompensa semelhante à de Maduro a Moraes, seria necessário demonstrar às autoridades vínculos com crimes transnacionais que afetam a segurança nacional.

Em março de 2020, o Departamento de Justiça dos EUA acusou Nicolás Maduro e os líderes do Cartel dos Sóis de narcoterrorismo, conspiração para traficar cocaína em larga escala para os Estados Unidos e corrupção generalizada. As provas incluíam depoimentos de desertores venezuelanos, interceptações de comunicações e rastreamento de carregamentos de drogas da Venezuela, ligando o regime a grupos como as FARC e o Hezbollah. Essa ação fazia parte de uma política regional de combate ao terrorismo dos EUA focada no desmantelamento de cartéis e regimes que usam o narcotráfico como fonte de financiamento.

Durante seu primeiro mandato (2017-2021), Donald Trump implementou uma estratégia de “pressão máxima” contra a Venezuela: sanções individuais à PDVSA, congelamento de ativos venezuelanos no exterior e reconhecimento de um governo interino em 2019. Em 2020, o Departamento de Estado ofereceu uma recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro, valor posteriormente aumentado para US$ 25 milhões, ressaltando a prioridade de desestabilizar o regime chavista.

Em seu segundo mandato (2025-), Trump manteve essa postura com notável intensificação. Em agosto de 2025, ele dobrou a recompensa por Maduro para US$ 50 milhões, impôs tarifas aos países importadores de petróleo venezuelano e reforçou as sanções econômicas, com foco adicional no controle da imigração e na contenção de influências estrangeiras, como China e Irã, na região. Essas medidas refletem a continuidade da política antiterrorismo, mas com maior agressividade no enfrentamento de ameaças percebidas na região.

Em contraste, a situação no Brasil é diferente com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O juiz tem sido alvo de ações polêmicas: censura em redes sociais, bloqueio de contas ( incluindo a plataforma X de Elon Musk ) e perseguição a apoiadores de Bolsonaro acusados de desinformação e ameaças à democracia.

Por enquanto, o foco da pressão sobre Moraes não está em seus vínculos com o narcotráfico, o terrorismo internacional ou ameaças diretas à segurança dos Estados Unidos. Para que o país ofereça uma recompensa semelhante à de Maduro, seria necessário demonstrar às autoridades vínculos com crimes transnacionais que afetem a segurança nacional. Sem tais provas, suas ações se limitam à esfera política interna do Brasil e não justificam uma intervenção semelhante à da Venezuela.

De qualquer forma, se as evidências existissem, quais seriam? Seriam abrangidas pela política antiterrorismo dos EUA? Se essas evidências fossem reais, outros membros da Suprema Corte ou do governo estariam implicados?